Estudo: Covid-19 avança 250% na Terra Yanomami

“É o garimpo ilegal que está levando essa nova xawara [doença] para dentro da floresta”, diz o estudo, que foi conduzido por lideranças Yanomami e Ye'kwana

Maloca Yanomami
Maloca Yanomami (Foto: Reprodução/ Hutukara Associação Yanomami)
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Sputnik - Estudo comandado por lideranças Yanomami e Ye'kwana indica que o número de infectados na Terra Yanomami, na região norte do Brasil, saltou de 335 para 1.202 entre agosto e outubro.

Segundo publicado pelo G1, os números divulgados no relatório indicam que um em cada três moradores na Terra Indígena Yanomami podem ter sido infectados.

O documento, intitulado “Xawara: rastros da COVID-19 na Terra Indígena Yanomami e a omissão do Estado”, afirma que a situação é de “total descontrole”.

“Há casos confirmados de contaminação em 23 das 37 regiões da Terra Indígena Yanomami e, como o isolamento social entre os moradores é impraticável nas aldeias, é possível que aproximadamente dez mil Yanomami e Ye’kwana já estejam expostos ao novo coronavírus, em um universo de cerca de 27 mil pessoas, ou seja, mais de um terço da população total, evidenciando uma situação de total descontrole”, diz o documento.

A situação é agravada pela presença de garimpeiros na região. Segundo lideranças indígenas, os trabalhadores do garimpo são os principais vetores da doença.

“É o garimpo ilegal que está levando essa nova xawara [doença] para dentro da floresta”, diz o documento.

A Terra Indígena Yanomami, que é a maior reserva indígena do Brasil, fica entre os estados de Roraima e Amazonas e em parte da fronteira com a Venezuela. Estima-se que a população local das cerca de 360 aldeias da região seja de 27 mil pessoas.

De acordo com os dados do estudo, apenas 1.270 testes foram feitos na região – ou seja, menos de 5% da população local foi testada. 

O relatório será encaminhado a autoridades que lidam com a população indígena.

O documento reforça os resultados do boletim Covid Economics, do Centro de Pesquisa sobre Política Econômica, divulgado em agosto. O estudo apontou a associação entre o desmatamento e o garimpo ilegal com o aumento de casos de COVID-19 em populações indígenas brasileiras.

Em agosto, o Brasil foi contestado pela ONU após o governo federal vetar um projeto que previa assegurar recursos para garantir proteção às comunidades indígenas e quilombolas durante a pandemia.

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