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Ex-alvos da Lava Jato disputarão retorno à Câmara com apoio de Lula

Pré-candidaturas de históricos do PT reacendem embate político com Sergio Moro e reposicionam disputa eleitoral de 2026

José Dirceu, André Vargas, Delúbio Soares e Edinho Silva (Foto: Reprodução )

247 - A movimentação de figuras históricas do PT para retornar à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 recoloca no centro do debate político o legado da Operação Lava Jato e seus desdobramentos. Conforme noticiado pelo Blog do Esmael, nomes como José Dirceu, André Vargas e Delúbio Soares surgem como pré-candidatos com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um movimento que combina estratégia eleitoral e disputa simbólica com o senador Sergio Moro.

O reencontro desses dirigentes durante o 8º Congresso Nacional do PT, realizado em Brasília entre os dias 24 e 26 de abril, sinalizou à militância que quadros atingidos pela Lava Jato permanecem ativos na política. A imagem reuniu, além dos três pré-candidatos, figuras como José de Filippi Júnior, conhecido como Barba, e Edinho Silva. A frase de Vargas sintetizou o tom do grupo: “Tentaram nos apagar, mas a verdade é que continuamos de pé”.

Mais do que um gesto de memória partidária, a movimentação tem foco eleitoral. Dirceu, Vargas e Delúbio representam uma ala que enfrentou o auge das investigações judiciais e agora busca recuperar protagonismo no Legislativo. O objetivo, segundo a leitura política do partido, é fortalecer a bancada governista em um cenário em que o Executivo enfrenta resistência no Congresso.

O retorno desses nomes também dialoga diretamente com a trajetória de Sergio Moro. Quando atuava como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, ele condenou Dirceu em dois processos da Lava Jato, em 2016 e 2017. Delúbio Soares também foi condenado em 2017 por lavagem de dinheiro. Já André Vargas foi preso em 2015, mas teve sua condenação anulada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal em 2023. O próprio Dirceu também obteve anulações de condenações no STF.

Essas decisões judiciais alimentam narrativas opostas. Enquanto Moro critica o esvaziamento da operação, o PT interpreta as anulações como correção de excessos e reparação política. Esse embate tende a se refletir diretamente nas urnas.

No tabuleiro eleitoral, o cenário se desenha em duas frentes. No Paraná, Moro articula sua candidatura ao governo estadual após filiação ao PL em março de 2026, com respaldo de lideranças bolsonaristas. Em Brasília, antigos alvos de suas decisões judiciais tentam retornar ao Congresso Nacional.

A estratégia do Palácio do Planalto passa pela ampliação da base aliada na Câmara. Além de Dirceu, Vargas e Delúbio, o presidente Lula já manifestou apoio à volta de outros nomes históricos, como João Paulo Cunha e Gilmar Machado. A avaliação é que o reforço político é necessário para garantir governabilidade diante da pressão de setores da direita e do Centrão.

A disputa de 2026, portanto, ultrapassa o campo eleitoral tradicional. Ela incorpora uma dimensão simbólica: de um lado, a tentativa de reconstrução política de lideranças atingidas pela Lava Jato; de outro, a permanência do discurso de combate à corrupção associado à operação. O resultado dessa disputa pode redefinir não apenas a composição da Câmara, mas também a narrativa política sobre um dos períodos mais marcantes da história recente do país.