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Ex-policial civil e dono de agência de publicidade, amigo de Flávio Bolsonaro ganha espaço na campanha

Amigo e conselheiro, Marcello Lopes ganha espaço na estratégia enquanto viagens em jatinhos levantam questionamentos sobre custos e relações pessoais

Senador Flávio Bolsonaro (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

247 - A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, considerada competitiva nos bastidores políticos, vem sendo estruturada com o apoio de um nome pouco conhecido fora do círculo mais próximo do parlamentar. A informação foi revelada pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Esse personagem é Marcello Lopes, amigo próximo e conselheiro do senador, que atua de forma discreta, mas com influência crescente nas decisões da pré-campanha. Conhecido como “Marcelão”, ele é descrito por interlocutores como uma figura central na engrenagem política de Flávio.

Dono da empresa Cálix Propaganda, Lopes passou a integrar recentemente parte da conta da Secretaria de Comunicação do governo de Tarcísio de Freitas. Ex-policial civil, ele reúne características comuns a integrantes do entorno político da família Bolsonaro, com trânsito entre comunicação e segurança pública.

A trajetória de Lopes também inclui reconhecimento institucional. Em 2024, ele recebeu a Medalha Tiradentes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, concedida “pelos relevantes serviços prestados à população do Rio”. A homenagem foi proposta pelo ex-deputado TH Joias, que posteriormente foi acusado de ligação com o Comando Vermelho e está preso no sistema federal.

Viagens em jatinhos entram no radar

Em paralelo à articulação política, deslocamentos do senador em aeronaves privadas ao longo de 2025 passaram a chamar atenção. Documentos do terminal executivo do Aeroporto de Brasília registram que, na noite de 30 de abril, Flávio Bolsonaro entrou no local acompanhado da esposa às 23h37. No mesmo horário, também foi registrada a entrada do advogado Willer Tomaz.

Pouco depois, à 0h26 do dia 1º de maio, uma aeronave executiva de longo alcance decolou com destino à Flórida. O avião está registrado em nome de uma empresa ligada à União Química, laboratório farmacêutico sediado em São Paulo. O escritório de advocacia de Willer Tomaz já atuou em processos envolvendo a empresa.

Outro registro aponta que, em 1º de abril de 2025, Flávio Bolsonaro embarcou com a esposa e as duas filhas em um voo com destino ao Rio de Janeiro. A aeronave utilizada pertence a uma empresa vinculada a Willer Tomaz e é um jato modelo Cessna 550 Bravo, com capacidade para oito passageiros. Há ainda registros de outras três entradas do senador no terminal para voos privados, sem identificação de destino.

Willer Tomaz é um nome conhecido nos bastidores de Brasília, com relações que atravessam diferentes campos políticos. Ele se aproximou de Flávio durante o governo de Jair Bolsonaro e mantém sociedade com o ex-procurador Eugênio Aragão. No passado, chegou a ser preso após delação do empresário Joesley Batista, mas teve a denúncia rejeitada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região por falta de provas.

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou: “O senador Flávio Bolsonaro mantém relação de amizade com o advogado Willer Tomaz, assim como suas famílias, sem qualquer vínculo profissional ou comercial. Diferentemente de Lula, que utiliza aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo, os voos tiveram caráter privado, com finalidade pessoal e familiar, não havendo qualquer contrapartida, favorecimento ou relação com a administração pública”. Já Willer Tomaz declarou: “O advogado Willer Tomaz esclarece que os voos mencionados tiveram caráter estritamente privado, realizados no contexto de relação pessoal de amizade entre as partes. Os deslocamentos foram de natureza exclusivamente pessoal e familiar, sem qualquer vínculo comercial, prestação de serviços ou contrapartida de qualquer natureza”.