Exploração ilegal do "ouro negro" levou a PF a investigar Alexandre Pires. Saiba o que é o minério

Cantor foi alvo de busca e apreensão pela PF na Operação Disco de Ouro, suspeito de envolvimento com uma organização criminosa especializada na exploração da cassiterita

Alexandre Pires
Alexandre Pires (Foto: Divulgação)


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247 - Para além do ouro, a procura dos garimpeiros ilegais por outro recurso, a cassiterita, tem crescido significativamente, especialmente em Roraima, na vulnerável Terra Indígena Ianomâmi. Ao longo dos anos, várias quadrilhas têm obtido em grande quantidade essa rocha, que é minerada e exportada ilegalmente com o uso de notas frias, explica o jornal O Globo. Na última segunda-feira (4), o cantor Alexandre Pires foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal na Operação Disco de Ouro, suspeito de envolvimento com uma organização criminosa especializada na exploração do "ouro negro", como é conhecido no mercado clandestino.

A cassiterita é a principal fonte para a obtenção de estanho, um metal nobre utilizado na fabricação de dispositivos como smartphones e tablets, nos quais o elemento compõe o material da tela e as placas de circuitos eletrônicos. O estanho também é utilizado no revestimento interno de latas, na fabricação de fungicidas e na formação de ligas industriais, como bronze, latão e soldas. No mercado internacional, o preço da tonelada já ultrapassou os US$ 40 mil, quase R$ 200 mil. >>> Alexandre Pires é alvo de operação da PF contra garimpo ilegal em terra indígena

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Durante a pandemia de Covid-19, a demanda por essa matéria-prima cresceu consideravelmente devido ao aumento na procura por aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares, o que resultou em um aumento significativo no valor do mineral. Isso despertou a atenção de garimpeiros ilegais que já exploram a cassiterita desde os anos 1970.

As apreensões aumentaram consideravelmente. Segundo um relatório do Ministério Público Federal, de janeiro de 2021 até o início de maio de 2022, mais de 200 toneladas de cassiterita foram apreendidas apenas em Roraima. Em janeiro deste ano, uma única ação da Polícia Federal resultou na apreensão de 30 toneladas do minério. Em março, outra operação da PF, também na Terra Indígena Ianomâmi, confiscou mais 27 toneladas. No último dia 1º, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 7,5 toneladas em Boa Vista (RR). Estima-se que mais de 400 toneladas foram apreendidas pela PRF nos últimos três anos.

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O Ministério Público Federal, em um ofício que garantiu, em maio deste ano, que toda a cassiterita apreendida pela PF fosse leiloada para financiar ações de combate ao garimpo ilegal, destacou que a Secretaria de Finanças do Estado de Rondônia (para onde os garimpeiros geralmente enviam a cassiterita antes da exportação) avaliava o quilograma do minério em R$ 120. O documento afirmava que o volume apreendido era tão expressivo que as entidades públicas enfrentavam dificuldades para armazená-lo, sujeitando-se ao risco de furto e degradação ambiental.

Apesar de ser ilegal, a exportação de minérios de Roraima, que teoricamente não possui uma única mina legal, aumentou. Até 2020, o ouro ianomâmi representava quase 20% das exportações do estado. No ano passado, durante as operações policiais, o ouro desapareceu da balança comercial, sendo substituído pela cassiterita, cuja exportação totalizou cerca de 700 toneladas, uma aparente contradição.

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Segundo a PRF, as apreensões de cassiterita são mais frequentes no Norte, onde se encontram as maiores reservas do minério, como Amazonas, Rondônia e Roraima. No entanto, a rota do minério alcança estados mais distantes, como evidenciado por uma apreensão de 20 toneladas este ano em São Paulo. Desde 2020, a PRF deteve 664 pessoas em ocorrências relacionadas ao composto.

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