Flávio Bolsonaro se posiciona em favor da agressão de Trump e Netanyahu ao Irã
Candidato da extrema-direita apoiou a agressão que assassinou dezenas de crianças em Teerã
247 - Em publicação nas redes sociais, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro criticou o posicionamento do governo Lula diante dos ataques promovidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A nota foi divulgada em sua conta oficial no Twitter, e o conteúdo foi acompanhado de críticas contundentes à política externa brasileira.
"O posicionamento do governo Lula diante das ações do regime iraniano é inaceitável. Ao adotar uma postura de apoio político a Teerã neste momento, o Brasil se coloca do lado errado de um conflito grave e ignora a natureza objetiva do regime que está defendendo", escreveu Flávio Bolsonaro, destacando o caráter negativo, em sua visão, do alinhamento do país.
Na nota, o senador ressaltou que o Irã "não é um ator neutro no cenário internacional" e listou ações do regime que, segundo ele, justificariam a intervenção militar: "Trata-se de um governo que financia e apóia organizações terroristas, que grita publicamente ‘morte à América’, que defende abertamente ‘varrer Israel do mapa’ e que mantém um programa nuclear notoriamente para fins militares. Internamente, reprime sua população com violência sistemática, em especial contra mulheres, e milhares de mortos. Esses são fatos públicos e reiterados ao longo dos anos, repudiados por quase todos os países da região".
O pré-candidato também afirmou que o Brasil deve manter distância de conflitos regionais, mas sem apoiar regimes que considera violentos: "O Brasil não precisa se intrometer em conflitos regionais, nem assumir papel protagonista em disputas que não nos pertencem. O que não pode é escolher o alinhamento moralmente errado, legitimando um regime que promove instabilidade e ameaça países parceiros do nosso próprio interesse estratégico".
Por fim, Flávio Bolsonaro manifestou solidariedade a aliados do Brasil no Oriente Médio e defendeu cautela na política externa: "Registro minha solidariedade aos Emirados Árabes Unidos, ao Reino do Bahrein, países parceiros do Brasil, e a quaisquer outros que tenham sido covardemente atacados pela ditadura do Irã. São nações com as quais o Brasil mantém relações comerciais relevantes e diálogo institucional crescente. Política externa responsável exige prudência e clareza. Neutralidade não é sinônimo de complacência, e contenção não pode significar apoio indireto a regimes que promovem terror, desestabilização e sofrimento".
Brasil condena ataques e pede respeito ao Direito Internacional
O governo brasileiro condenou e manifestou “grave preocupação” com os ataques realizados neste sábado (28) pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irã. A posição consta na Nota à Imprensa nº 66, publicada pelo Ministério das Relações Exteriores, na manhã de 28 de fevereiro.
Segundo o texto oficial, os ataques ocorreram “em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”. O governo brasileiro reiterou que o diálogo é a via legítima para a resolução do conflito e enfatizou que a diplomacia deve prevalecer sobre ações militares.
Na nota, o Brasil também faz um apelo direto às partes envolvidas. O governo solicita que todos “respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”. A manifestação reforça a defesa histórica do país pelo respeito às normas internacionais e pela preservação de vidas civis em cenários de tensão.
O comunicado informa ainda que as embaixadas brasileiras na região acompanham de perto os desdobramentos das ações militares, com atenção especial às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. O Itamaraty recomenda que brasileiros que residam ou estejam na região sigam rigorosamente as orientações de segurança das autoridades locais.
De acordo com a nota, o embaixador do Brasil em Teerã mantém contato direto com a comunidade brasileira na capital iraniana para transmitir atualizações sobre a situação e fornecer orientações de segurança. O governo brasileiro afirma seguir monitorando os acontecimentos e reforça a necessidade de esforços diplomáticos para evitar o agravamento do conflito.