Folha reconhece erros e contradições em delação contra Mercadante
Reportagem de capa do jornal Folha de São Paulo, deste domingo (7), reconhece erros, inconsistências e contradições nas delações de Benedicto Junior, ex-presidente da construtora Odebrecht, e Carlos Armando Paschoal, então diretor da Odebrecht em São Paulo, em relação a um suposto pagamento de caixa 2 na campanha de Aloizio Mercadante ao governo do estão de São Paulo em 2010; as contradições, que podem anular as delações e encerrar o processo contra Mercadante, já tinham sido noticiadas pelo Brasil 247 assim que o Ministro Fachin havia liberado o sigilo, há quase um mês
247 – Reportagem de capa do jornal Folha de São Paulo, deste domingo (7), reconhece erros, inconsistências e contradições nas delações de Benedicto Junior, ex-presidente da construtora Odebrecht, e Carlos Armando Paschoal, então diretor da Odebrecht em São Paulo, em relação a um suposto pagamento de caixa 2 na campanha de Aloizio Mercadante ao governo do estão de São Paulo em 2010. As contradições, que podem anular as delações e encerrar o processo contra Mercadante, já tinham sido noticiadas pelo Brasil 247 assim que o Ministro Fachin havia liberado o sigilo, há quase um mês atrás.
Segundo Folha de São Paulo, "a petição contra os petistas Aloizio Mercadante e Edinho Silva a respeito da campanha ao governo de SP em 2010 é baseada em delações que, além de terem números divergentes, contradizem-se". Estes são exatamente os mesmos argumentos apresentados imediatamente por Mercadante e omitidos, ou divulgados de forma parcial, pela maioria dos orgãos de imprensa durante o processo de cobertura do fim do sigilo das delações.
"Um delator, Benedicto Junior, ex-presidente da construtora Odebrecht, afirma que não teve contato com o então candidato petista, Mercadante, e que o pedido de doação via caixa dois chegou por meio de Carlos Armando Paschoal, então diretor da Odebrecht em São Paulo". "Na versão de Junior, Paschoal teria sido procurado por Silva, apontado como o tesoureiro da campanha –função que não exerceu; ele era coordenador político", prossegue a reportagem.
Valores
A reportagem também apresenta a diferença entre os valores da suposta doação por meio de caixa 2, apresentada pelos dois delatores, para a campanha. Segundo o ex-presidente da construtora, Paschoal e Silva teriam acertado doação de R$ 1 milhão, mas que foram pagos efetivamente R$ 750 mil. "O Carlos entende que o último pagamento não aconteceu por algum motivo que ele não sabe explicar."
Paschoal, por sua vez, disse que "foram feitos três pagamentos, de R$ 250 [mil], de R$ 500 [mil] e R$ 250 [mil]". Mas, segundo ele, a doação foi negociada por seu superior. "Benedicto me disse que estava vindo de uma reunião com Mercadante e que havia combinado que a Odebrecht faria uma doação de caixa dois para o candidato no valor de R$ 1 milhão", relatou.
A Folha diz, ainda, que "um ministro do Supremo disse, sob condição de anonimato, que incongruências fragilizam as acusações e que algumas delações terão de ser reanalisadas em órgãos judiciais colegiados". Segundo ele, "não se pode provar com probabilidades. Prova tem que ser cabal".
Nota:
O 247 recuperou nota emitida pelo ex-ministro, Aloizio Mercadante, quando do fim do sigilo das delações de empresários do grupo Odebrecht, que já apresentava todas as informações destacadas, neste domingo (7), pela Folha de São Paulo. Confira a íntegra:
"Os depoimentos dos dois delatores, Carlos Armando Paschoal e Benedicto Junior, apesar de contraditórios, confirmam tudo o que já foi dito por Aloizio Mercadante e negam a própria acusação. Os dois afirmam categoricamente que jamais trataram com o Mercadante de doação de campanha ou de contribuições não oficiais.
1) Paschoal afirma, quando perguntado se teve algum encontro com Mercadante, " Não. Nunca , nunca"( 10min e 14 segundos). Diz, ainda, " para cada político, digamos assim, havia, digamos uma contraparte. No caso do Mercadante, a contraparte era o BenedictoJunior. Então, as tratativas entre a Odebrecht e o Mercadante eram feitas pelo BenedictoJunior" (10min e 24 seg).
2) E Benedicto Júnior, " olha, eu não tratei com ele, não o procurei, não fui procurado para agradecer, o que poderia ter acontecido se eu tivesse alguma relação com ele. E Carlos não me relatou que tenha sido dito a ele que ele sabia diretamente que erámos nós" (10m9 e 18 seg).
3) Benedicto, quando questionado se houve algum contato com Mercadante, afirma "não. O Carlos não me relatou" ( 5min 45 seg).
4) Por fim, quando perguntado se Mercadante deu algum benefício concreto à Odebrecht, diz "não, senhor." ( 12 min e 37 seg.).
5)Não há coerência nem mesmo quanto ao valor, da suposta caixa dois.
O ex-ministro reafirma que não delegou arrecadação e não aceitou contribuições não oficiais para as suas companhas. O prefeito Edinho não era tesoureiro da campanha de Mercadante, mas presidente estadual do PT e como ele mesmo já afirmou em nota pública, não possuía qualquer atribuição de arrecadação financeira e não arrecadou para a referida campanha.
A prestação de contas da campanha ao governo de São Paulo foi aprovada e está disponível para consulta pública no Tribunal Superior Eleitoral. Mercadante está à inteira disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento necessário.
Assessoria Mercadante"
