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Freixo critica ditadura militar e diz que País superou “Brasil com Z”

Em despedida da Embratur, Freixo compara regime militar ao presente, destaca recuperação da imagem internacional e anuncia candidatura a deputado

Marcelo Freixo (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - O presidente cessante da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Marcelo Freixo, encerrou nesta terça-feira (31) sua gestão à frente da instituição com um discurso marcado por críticas à ditadura militar brasileira e pela defesa da reconstrução da imagem do país no exterior. As informações foram divulgadas pela Sputnik Brasil. Freixo também confirmou que disputará uma vaga de deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro.

A despedida ocorreu durante o Visit Brasil Summit, no Teatro Nacional, em Brasília, no mesmo período em que a Embratur completa 60 anos. Ao fazer um balanço de sua gestão, Freixo traçou um paralelo histórico entre o momento atual e o período do regime militar, destacando mudanças na forma como o Brasil se apresenta ao mundo.

Ao mencionar o contexto de seis décadas atrás, o dirigente afirmou que “há 60 anos o Brasil estava muito pior”, em referência direta à ditadura. Segundo ele, o regime “promovia o Brasil da pior forma” e permitia que “os EUA poderiam fazer o que quisessem”, além de retratar as “mulheres como exóticas”. Ele classificou aquele período como o “Brasil com Z”, definindo-o como uma “página infeliz da nossa história”.

Em contraposição, Freixo sustentou que o país conseguiu reverter essa imagem internacional, resgatando o que chamou de “Brasil com S”. Para ele, esse reposicionamento não está ligado a governos específicos, mas à identidade nacional. “A marca Brasil não é de um governo, é do país”, afirmou.

O discurso também reforçou sua trajetória política vinculada à defesa dos direitos humanos. Segundo Freixo, a experiência na Embratur ampliou sua capacidade de atuação nessa área. “O turismo não me tirou dos direitos humanos, me deu ainda mais a capacidade de reafirmar que o Brasil é o país dos direitos humanos”, declarou.

Em entrevista após a abertura do evento, Freixo apresentou números de sua gestão e destacou o crescimento do turismo internacional no país. De acordo com ele, o Brasil passou de 5,9 milhões de visitantes estrangeiros em 2023 para 9,3 milhões atualmente, com geração de US$ 8 bilhões em receitas.

“Gerou emprego, gerou renda e gerou reconhecimento”, disse.

Freixo também rebateu a percepção de que a segurança pública afeta negativamente o turismo, defendendo o setor como parte da solução. “Quando os lugares se tornam mais turísticos, gera mais circulação de pessoas, tem mais atividade cultural, mais segurança, mais geração de emprego, ocupação de espaço. O turismo tem que, na verdade, ser pensado como solução para a segurança pública.”

No balanço administrativo, foram destacados ainda a retomada de recursos do Orçamento da União, o alcance de 98% de transparência ativa e a criação de um escritório de projetos, com foco em planejamento estratégico e decisões baseadas em dados de inteligência de mercado.