Future-se é autoritário e rebaixa a educação aos interesses do mercado, diz professora

A professora de Serviço Social da UFF e secretária-geral do ANDES-SN, Eblin Farage, conversou com a TV 247 sobre o projeto que propõe um novo modelo de gestão e financiamento para as universidades públicas. “O Projeto Future-se, desde sua forma ao seu conteúdo, é autoritário e de subalternização da educação pública brasileira ao mercado e aos interesses comerciais”, avaliou. Assista

Professora Eblin Farage
Professora Eblin Farage (Foto: Reprodução/Youtube)

247 - A professora de Serviço Social da UFF (Universidade Federal Fluminense) e secretária-geral do ANDES-SN, Eblin Farage, falou à TV 247 sobre o projeto Future-se, anunciado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, como um novo modelo de gestão e financiamento para as universidades públicas. O projeto “estimula” que as universidades captem recursos por conta própria, utilizando-se do argumento de que as instituições de ensino superior público têm autonomia.

Eblin Farage afirmou, em participação no programa Por Elas no último sábado 31, que o Future-se é autoritário e rebaixa a educação aos interesses comerciais do mercado. Ela também classificou o texto da proposta como “ousado”.  

“O Projeto Future-se, desde sua forma ao seu conteúdo, é autoritário e de subalternização da educação pública brasileira ao mercado e aos interesses comerciais. É um projeto ousado, pretende mudar 17 leis federais, inclusive as leis mais recentes como o Novo Marco de Ciência e Tecnologia e a Lei da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Em seus 45 artigos, o projeto propõe uma transformação do status do ensino superior público, que se for implementado para instituições federais será também para as instituições estaduais e municipais, e mudará a lógica do ensino superior”.

A professora criticou a deturpação do princípio de autonomia das universidades públicas brasileiras. Segundo Eblin, a independência dada às instituições se referem a como elas irão gerir a verba vinda da União, não significa que as universidades necessitem captar recursos por si só.

“No eixo da gestão institucional, pretende subordinar a gestão de pessoal e gestão patrimonial a organizações sociais e a fundos de investimento, e isso atinge o artigo 207 da Constituição Brasileira que prevê que as universidades têm autonomia de gestão financeira e pedagógica, no tripé de ensino-pesquisa-extensão”, disse ainda.  

“O Future-se muda a lógica de autonomia para gestão. O que é diferente porque queremos que a universidade tenha autonomia para gerir a verba pública que o estado investe na educação e não que tenha autonomia para ficar captando recursos do mercado como se fôssemos empreendedores, como se a universidade fosse uma empresa, já que entendemos que a universidade tem um sentido social e não comercial”, completou. 

Eblin Farage ainda ressaltou o baixo interesse do setor privado em investir na educação pública. “Iniciativa privada nunca investiu em educação, em nenhum lugar do mundo isso acontece, se assim fosse, não precisaríamos do ProUni e do FIES. A maior empresa investidora em educação no Brasil é a Petrobras, com um percentual ainda mínimo, e é uma empresa estatal. Não dá para achar que o empresariado brasileiro investirá na educação pública”. 

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