General que integrou governo diz que Bolsonaro quer arrastar as Forças Armadas para o ambiente político
"A politização das forças armadas preocupa a todos, sejam da ativa ou reserva. Há uma tentativa de envolver as forças armadas nos projetos de governo", afirmou o general Francisco Mamede de Brito Filho, que presidiu o Inep
247 - O general da reserva Francisco Mamede de Brito Filho , que integrou o governo de Jair Bolsonaro na chefia de gabinete do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, o Inep, criticou o que chamou de tentativa de politizar as Forças Armadas.
Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (30), Brito Filho disse que é possível uma tentativa de Jair Bolsonaro arrastar as Forças Armadas para o ambiente político. Ele considera que a substituição inesperada dos titulares de seis ministérios e o pedido de demissão de três comandantes das Forças Armadas são indícios disso.
"A politização das forças armadas preocupa a todos, sejam da ativa ou reserva. Há uma tentativa de envolver as forças armadas nos projetos de governo. A demissão do ministro da Defesa pode ter ocorrido numa investida mais contundente para tentar obter dos comandantes militares um maior apoio ao governo. É uma ilação, mas é uma possibilidade que não podemos descartar diante dos fatos que o governo tem apresentado."
Para o general, no entanto, o alto comando do Exército está muito coeso e preza pela constituição e pelo regime democrático.
"Se é essa a intenção, ele (Bolsonaro) não terá sucesso, assim como não teve com os comandantes militares que saíram agora. O alto comando está muito coeso e preza por cláusulas pétreas de respeito à constituição e ao regime democrático", completa.
O general afirmou ainda que o general Eduardo Pazuello foi uma 'anomalia condenável'. "É preciso fazer uma distinção: os militares que estão na reserva e integram o governo são pessoas físicas e não devem ter vínculo com as Forças porque estão na reserva. Militares da ativa integrando o governo, como o Pazuello, é uma anomalia condenável. Deveria ter sido exigido a passagem para a reserva, assim que ele assumiu o cargo, o que não aconteceu e acabou gerando uma situação constrangedora."
