Gilberto Maringoni: abaixo a ética na política

O professor de Relações Institucionais da UFABC Gilberto Maringoni critica o termo "ética na política"; "No dia a dia, a ética é mais uma muleta moralista e vazia de significados, usada como parte do arsenal retórico de classe média contra outras abstrações, a exemplo da 'corrupção', da 'roubalheira' e da 'ganância dos políticos', coisas aliás que ninguém é a favor. Nem 'os políticos'", diz ele; "A 'ética na política' é prima do 'republicanismo' e cunhada da 'nova política'. Não define campos, não define posições, não define nada"

O professor de Relações Institucionais da UFABC Gilberto Maringoni critica o termo "ética na política"; "No dia a dia, a ética é mais uma muleta moralista e vazia de significados, usada como parte do arsenal retórico de classe média contra outras abstrações, a exemplo da 'corrupção', da 'roubalheira' e da 'ganância dos políticos', coisas aliás que ninguém é a favor. Nem 'os políticos'", diz ele; "A 'ética na política' é prima do 'republicanismo' e cunhada da 'nova política'. Não define campos, não define posições, não define nada"
O professor de Relações Institucionais da UFABC Gilberto Maringoni critica o termo "ética na política"; "No dia a dia, a ética é mais uma muleta moralista e vazia de significados, usada como parte do arsenal retórico de classe média contra outras abstrações, a exemplo da 'corrupção', da 'roubalheira' e da 'ganância dos políticos', coisas aliás que ninguém é a favor. Nem 'os políticos'", diz ele; "A 'ética na política' é prima do 'republicanismo' e cunhada da 'nova política'. Não define campos, não define posições, não define nada" (Foto: Aquiles Lins)

Por Gilberto Maringoni, em seu Facebook - Há um conceito deletério na base da atuação da esquerda desde, pelo menos, o escândalo Collor. É uma rendição em grande estilo ao senso comum de direita.

Trata-se da malfadada "ética na política". Nunca consegui entender direito do que se trata.

É uma ética baseada em que pressupostos? Colocada para se contrapor a quê ou a quem, para além de platitudes bobas, como a "falta de ética".

Quem determina o que é ético ou não? Seria a ética, como a democracia de Carlos Nelson Coutinho, um valor universal?

A única derivação visível dessa ética abstrata é a de que haveria pessoas éticas e pessoas aéticas, assim como existiriam pessoas de bem e pessoas que não são de bem.

Como a ética não resulta de um contrato social - uma lei -, ela, além de abstrata é subjetiva. A minha ética é diversa da sua.

No dia a dia, a ética é mais uma muleta moralista e vazia de significados, usada como parte do arsenal retórico de classe média contra outras abstrações, a exemplo da "corrupção", da "roubalheira" e da "ganância dos políticos", coisas aliás que ninguém é a favor. Nem "os políticos"..

A ética na política é um genérico do udenismo e do lacerdismo rastaquera que produz tragédias institucionais, a exemplo da Lei da Ficha Limpa. Esta solapa uma das bases constitutivas do Direito, a presunção da inocência, ao abrir caminho para a - inconstitucional - prisão após julgamento em segunda instância.

A "ética na política" é prima do "republicanismo" e cunhada da "nova política". Não define campos, não define posições, não define nada.

Vale lembrar que esse fraseado todo irrompeu na vida pública ao mesmo tempo em que desabava a antiga União Soviética. A partir dali se desatou uma poderosa ofensiva conservadora contra a esquerda e a ideia de transformação social.

A "ética na política" nasceu com o fim da história e o último homem.

Ao vivo na TV 247 Youtube 247