Gilmar critica Lava Jato e diz que forças-tarefas se tornaram um "superpoder"

“Eles se tonaram um superpoder, um superpoder em relação ao próprio procurador-geral. Se o Aras não enfrenta essa questão das forças-tarefas, elas acabam com ele, porque ele passa a não ter poder”, disse Gilmar

Gilmar Mendes e Polícia Federal
Gilmar Mendes e Polícia Federal (Foto: STF | Reuters)
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247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou a Operação Lava Jato e endossou o posicionamento do procurador-geral da República, Augusto Aras, no enfrentamento aos “superpoderes” das forças-tarefas. “Eles se tonaram um superpoder, um superpoder em relação ao próprio procurador-geral. Se o Aras não enfrenta essa questão das forças-tarefas, elas acabam com ele, porque ele passa a não ter poder”, disse Gilmar nesta sexta-feira (16) durante um debate virtual realizado pela TV Conjur. 

“O rabo passou a abanar o cachorro. É um grave problema de governança. É uma instituição que pode ameaçar a democracia, isso precisa ser repensado”, completou Gilmar, segundo reportagem do blog do jornalista Fausto Macedo.  

Gilmar Mendes também afirmou as forças-tarefas passaram a atuar de forma “ilícita” e promoveram “distorções muito preocupantes”.  “Em nome do bem, muitas vezes se fez o mal. Nós precisamos discutir isso. Combater a corrupção de maneira rigorosa, mas respeitadas as garantias constitucionais”, destacou.

“Veja a questão, por exemplo, da condução coercitiva, da segunda instância, dos prazos sucessivos para as alegações finais. As tais limitações, não à Lava Jato, mas ao abuso do sistema penal tem amplo apoio no Tribunal. Isso é uma questão de civilização. É a disputa entre civilização e barbárie”, disse. 

 “As prisões alongadas de Curitiba não tinham outro objetivo do que produzir delação, este era o objetivo. E os promotores eram donos desse processo combinados com o juiz”, complementou em seguida. 

 

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