Governo Bolsonaro diz à ONU que ameaças contra Glenn e Miranda estão sob investigação

Numa resposta dada dois meses após relatores da ONU enviarem um comunicado ao Itamaraty advertindo que cabe ao estado brasileiro proteger jornalista Glenn Greenwald e o deputado David Miranda (PSOL-RJ), seu parceiro, que recebem ameaças de morte depois que o The Intercept, do qual Glenn é editor, publicar as conversas entre procuradores e o então juiz Sérgio Moro, no âmbito da Lava Jato

247 - Em resposta às Nações Unidas, o governo Jair Bolsonaro afirma que  as ameaças contra o jornalista Glenn Greenwald e o deputado David Miranda (PSOL-RJ), seu parceiro, estão sendo investigadas.

De acordo com reportagem do colunista Jamil Chade, do UOL, a resposta foi dada após relatores da ONU enviarem comunicado ao Itamaraty insistindo que cabe ao estado brasileiro proteger Greenwald, que passou a sofrer ameaças depois de publicar as conversas entre procuradores e o então juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato.

Na resposta enviada com base em informe da Polícia Federal - comandada por uma dos personagens das revelações trazidas pelo The Intercept, o ministro Sergio Moro - após dois meses da manifestação da ONU, o governo brasileiro não aponta quais as medidas que estão sendo feitas para garantir a sua proteção, citando apenas um apanhado genérico de como funcionam os programas de proteção às vítimas e defensores de direitos humanos no Brasil.

"Ao saber da comunicação da ONU, a Polícia Federal informa que todas as medidas investigavas relacionadas com o caso foram adotadas", disse o governo. "A PF já iniciou as investigações e o inquérito policial sobre as possíveis ameaças ao jornalista Glenn Greenwald e seu parceiro David Miranda", informou a carta, obtida pelo UOL.

Sobre David Miranda, o governo diz que o presidente da Câmara dos Deputados ordenou que medidas de proteção ao parlamentar fossem tomadas. Mas não informa que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) negou dispor de policiais para fazer a proteção ao parlamentar.

O documento ainda diz que as autoridades brasileiras estão "coletando dados" e buscando formas para "identificar os suspeitos e verificar os crimes relatados".

"A carta, porém, indica que o conteúdo da investigação é 'estritamente confidencial' e que "não pode ser informado antes da conclusão das investigações em andamento na PF do Distrito Federal de Brasilia", destaca a reportagem.

Publicamente, a única investigação que se sabe é a feita nas finanças do David e Glenn. Segundo o Ministério Público do Rio (MP-RJ), o antigo Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) encaminhou dados que supostamente apontariam para uma "movimentação atípica" nas contas de David Miranda, com fluxo de R$ 2,5 milhões entre abril de 2018 e março de 2019.

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