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Governo Bolsonaro diz ao STF que propaganda 'Brasil não pode parar' foi um ato isolado

O governo afirmou em resposta ao STF que as peças publicitárias produzidas pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) com o slogan "o Brasil não pode parar" não faziam parte de uma campanha, mas de um "ato isolado de comunicação"

Governo Bolsonaro diz ao STF que propaganda 'Brasil não pode parar' foi um ato isolado (Foto: Divulgação)

247 - Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (23), o governo Jair Bolsonaro afirma que publicações da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) com o slogan "o Brasil não pode parar" não faziam parte de uma campanha publicitária, mas de um "ato isolado de comunicação".

Segundo reportagem da revista Época, a campanha foi orçada em R$ 4,8 milhões aos cofres públicose foi elaborada pela agência IComunicação. A peça publicitária foi classificada como emergencial e, portanto, foi realizada sem licitação.

Apesar do discurso insistente de Jair Bolsonaro contra o isolamento e da quebra da quarentena por diversas vezes, fazendo aglomerações e cumprimentando apoiadores, e de publicar em suas redes sociais o vídeo da campanha, Bolsonaro disse por meio de resposta enviada ao tribunal pela Advocacia-Geral da União (AGU) que a ação contra a peça publicitária da Secom se baseia em "suposições".

“Além disso, esta ação se valeu-se tão-somente de matérias jornalísticas e de suposições sem qualquer apuro técnico ou esteio na realidade, inclusive proclamando que há lesão concreta e direta ao patrimônio público, pois o Governo Federal gastará cerca de R$ 5 milhões de reais para divulgar propaganda institucional dissociada das recomendações médicas e sanitárias", diz.

No entanto, a Secom publicou e depois apagou mensagem com logomarca oficial da secretaria, que diziam: “No mundo todo são raros os casos de vítimas fatais do coronavírus entre jovens e adultos. A quase-totalidade dos óbitos se deu com idosos. Portanto, é preciso proteger estas pessoas e todos os integrantes dos grupos de risco com todo cuidado, carinho e respeito. Para estes, o isolamento. Para estes, o isolamento. Para todos os demais, distanciamento, atenção redobrada e muita responsabilidade. Vamos, com cuidado e consciência, voltar à normalidade. #oBrasilNãoPodeParar”.

Além disso, Bolsonaro divulgou nas redes um vídeo com a peça de propaganda e mobilizando contra o isolamento social, estimulando que as pessoas a sair às ruas e voltar ao trabalho, contrariando orientações da Organização Mundial da Saúde e as determinações dos governadores estaduais.

Ainda de acordo com o documento enviado ao STF, o governo Jair Bolsonaro diz que nenhuma das alegações tem embasamento fático ou documental, e não houve "campanha publicitária" e/ou veiculação de vídeo em nenhum canal oficial do governo federal, bem como inexistiu contratação emergencial de agência de publicidade para a específica finalidade exposta na inicial. No entanto, a campanha foi publicada na página da Secom no Twitter.

Apesar de afirmar que a campanha não existiu, o governo admite a produção do vídeo, mas diz que a peça que circulou "foi produzido em caráter experimental" e que seria "uma proposta inicial para possível uso nas redes sociais, que teria que passar pelo crivo do governo, mas não chegou a ser aprovada e tampouco veiculada em qualquer canal oficial do governo".