Governo Bolsonaro prorroga mais uma vez corte de jornada e salário

Jair Bolsonaro prorrogou por dois meses a possibilidade de suspensão de contratos de trabalho e corte de jornada e salário. Trabalhadores estão sem qualquer proteção na crise: 10 milhões já foram prejudicados

Jair Bolsonaro, carteira de trabalho e dinheiro
Jair Bolsonaro, carteira de trabalho e dinheiro (Foto: Reuters | Fotos Públicas)
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247 - Jair Bolsonaro prorrogou por dois meses a possibilidade de serem fechados acordos entre as classes patronal e trabalhadora para a suspensão de contratos e corte de jornada e salário. Os acordos tinham validade de seis meses. De acordo com o Ministério da Economia, ao menos 18,4 milhões de acordos desse tipo foram firmados por aproximadamente 1,4 milhão de empresas. O total de trabalhadores atingidos é de 9,7 milhões. 

A medida, que deve ser publicada na edição desta quarta-feira (14) do Diário Oficial da União, reflete novamente a intenção do governo federal em deixar o setor privado ditar os rumos de uma eventual retomada da geração de empregos e do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). 

Antes mesmo da pandemia, a atual gestão deu continuidade à vigência da reforma trabalhista, que retirou direitos, para diminuir o custo das empresas, mas falta demanda. Por consequência, afasta a confiança de investidores - o Brasil já teve a maior fuga de capitais de sua história, com a saída de US$ 15,2 bilhões nos primeiros oito meses deste ano, o pior resultado desde 1982. O PIB também cresceu apenas 1% em 2019 e tem recessão prevista de 5% em 2020, além de 13 milhões de desempregados. 

O governo federal desembolsou R$ 28,5 bilhões para pagar o complemento de cada trabalhador atingido pelo corte de jornada e remuneração. O total reservado para o programa é de R$ 51,6 bilhões. A sobra de dinheiro foi um dos motivos que levaram à prorrogação do programa. 

"Diante do cenário atual de crise social e econômica, e com a permanência de medidas restritivas de isolamento social, faz-se necessária a prorrogação, mais uma vez, do prazo máximo de validade dos acordos", diz a nota enviada pela Assessoria de Comunicação Social da Presidência. 

"Essa ação irá permitir que empresas que estão em situação de vulnerabilidade possam continuar sobrevivendo a este período e, desta forma, preservar postos de trabalho e projetar uma melhor recuperação econômica", acrescentou.

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