"Governo Bolsonaro quer regularizar o roubo da terra e a ordem para matar", diz coordenador do MST

Em entrevista à TV 247, o integrante da coordenação nacional do MST Alexandre Conceição falou da precarização da luta agrária com o governo Bolsonaro e comentou a tentativa de impor uma GLO do campo. "É, nada mais nada menos, que a permissão para matar, doutrina da tolerância zero - matar e depois perguntar. Essa é a doutrina do governo Bolsonaro, já é a ordem de matar", afirmou. Assista

Jair Bolsonaro e manifestação do MST
Jair Bolsonaro e manifestação do MST

247 - O integrante da coordenação Nacional do MST Alexandre Conceição falou à TV 247 sobre a luta agrária diante dos obstáculos impostos por Jair Bolsonaro. Ele também comentou a tentativa do governo de implantar uma GLO do campo, ou seja, a Garantia da Lei e da Ordem, que ocorre nos casos em que há o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública, em graves situações de perturbação da ordem.

Alexandre apontou o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff como um dos pontos que prejudicou a luta do MST nos últimos anos. "Essa violência no campo inicia com muito mais força em 2016, quando o Brasil todo foi violentado com um golpe de Estado sem provas e sem crime, tiraram uma presidenta da República, rasgaram a Constituição e desrespeitaram nosso voto que elegeu a presidenta Dilma. Logo na sequência desse golpe veio o motivo: tirar direitos; e tiraram muitos direitos nossos. No campo eles fecharam o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), mas também fecharam o Ministério da Igualdade Racial, ministério da Cultura, fecharam ministérios que também têm outras relações com a luta do campo – políticas públicas (PA, PNAE , PRONAF) foram reduzidas".

O coordenador do MST disse que Jair Bolsonaro quer legalizar o grilo, o que classificou como "roubo da terra", e disse que o atual governo propõe o reverso do rel programa agrário. "Com as eleições, tivemos um candidato que se tornou presidente da República e que já falava em criminalização, violência e ódio, que agora quer implementar um programa agrário no Brasil, que, aliás, é um programa reverso do programa agrário, é de destruição das politicas públicas da Reforma Agrária. Em 1850, foi a primeira Lei da Terra brasileira, ali se criou a 'propriedade privada da terra'. Antes a terra pertencia à Coroa, agora com a intervenção desse governo,  querem criar a sem-vergonhice da terra grilada, querem regularizar o grilo, o roubo da terra, e isso vai também gerando violência".

Alexandre ressaltou também a chegada da política de matança de Bolsonaro ao campo. Ele lembrou que Bolsonaro já propôs a GLO do campo e que, mesmo sem a aprovação da proposta pelo Congresso, já está armando latifundiários para a guerra contra o movimento de moradia. "Eles estão agora tentando mudar a Lei Antiterrorismo para nos criminalizar como terroristas, tentando criar a GLO do campo que é, nada mais nada menos, que a permissão para matar, doutrina da tolerância zero - matar e depois perguntar. Essa é a doutrina do governo Bolsonaro, já é a ordem de matar. Enquanto não chega ao Congresso essa medida para ser aprovada, o presidente começa a anunciar, e ele já autoriza os latifundiários, já liberou as armas no campo, já estão armados para fazer a matança".

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