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Governo brasileiro vê risco de proliferação nuclear com guerra no Irã

Avaliação do Planalto aponta que guerra no Irã pode estimular corrida armamentista, ampliar tensões regionais e fragilizar ainda mais a ordem internacional

Irã ataca Tel Aviv (Foto: Reuters)

247 - O governo brasileiro avalia com preocupação os efeitos de longo prazo da guerra no Irã, que vão além do impacto imediato sobre combustíveis e fertilizantes. Entre os principais riscos estão a proliferação nuclear e uma postura mais expansionista de Israel no Oriente Médio.

As informações são da jornalista Patrícia Campos Mello, em reportagem da Folha de S.Paulo. Segundo autoridades do Itamaraty e do Planalto, o conflito pode levar países a buscar maior capacidade de dissuasão militar, diante da fragilidade do sistema de segurança internacional.

Países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, reavaliam a proteção dos EUA. Apesar de inicialmente contrários aos ataques, passaram a apoiá-los após articulações do ex-presidente Donald Trump, enquanto temem um Irã hostil fortalecido.

O Brasil vê risco de uma corrida armamentista, inclusive nuclear, agravada pela proximidade entre a Arábia Saudita e o Paquistão. Ao mesmo tempo, o Irã pode reforçar sua estratégia de dissuasão, sobretudo se o regime sobreviver enfraquecido, fortalecendo alas mais radicais.

Por outro lado, uma eventual derrota iraniana poderia ampliar a atuação de Israel. O governo de Binyamin Netanyahu poderia intensificar ações no Líbano e na Cisjordânia, além de pressionar rivais como a Turquia. Há ainda o receio de ocupação prolongada em áreas libanesas e continuidade de ataques ao Irã.

Nos EUA, a guerra enfrenta resistência: 59% consideram excessivas as ações contra o Irã, segundo a AP-NORC. As divergências entre Trump e Netanyahu refletem interesses distintos — Israel prioriza enfraquecer Teerã, enquanto Washington se preocupa mais com impactos econômicos.

O Brasil mantém sua embaixada em Teerã e condenou tanto os ataques iniciais quanto as retaliações iranianas. Também não apoiou resolução da ONU considerada desequilibrada, criticada por China e Rússia.

Para o governo brasileiro, o conflito tende a fragilizar ainda mais a ordem internacional, já pressionada por ações recentes como a intervenção dos EUA na Venezuela contra Nicolás Maduro. Há também temor de que Washington busque novas frentes, como uma eventual ação em Cuba, com impactos negativos para a região.