Governo confirma invasão e suspende sistema de alertas da Defesa Civil
Plataforma foi retirada do ar após envio indevido de mensagem para celulares em vários estados; caso será investigado pela Polícia Federal
247 - O governo federal confirmou que a plataforma responsável pelo envio de alertas da Defesa Civil foi alvo de uma invasão na madrugada deste sábado (20). Como medida de segurança, o sistema foi retirado do ar após o disparo de mensagens não autorizadas para celulares em diferentes regiões do país. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.
De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), os alertas foram enviados remotamente por uma pessoa sem qualquer vínculo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A mensagem continha a palavra “misantropia” e chegou a usuários em diversos estados brasileiros durante a madrugada.
O episódio provocou preocupação entre moradores de várias localidades. Relatos sobre o recebimento da mensagem foram registrados no Distrito Federal, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Em Brasília, os celulares emitiram o alerta pouco antes das 1h30.
Sistema foi retirado do ar
Em nota oficial, o MIDR informou que a plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi desativada às 1h30 para evitar novos disparos indevidos enquanto as equipes técnicas analisam a ocorrência.
Segundo a pasta, a invasão comprometeu temporariamente o funcionamento da ferramenta responsável pela emissão de alertas extremos à população. O ministério também informou que o caso será encaminhado à Polícia Federal para investigação.
A mensagem enviada continha a palavra “misantropia”, termo utilizado para definir aversão, desconfiança ou repulsa generalizada à humanidade e à natureza humana. O conteúdo chamou a atenção por não ter relação com qualquer ocorrência climática ou desastre em andamento.
Estados descartam emissão oficial
Após a circulação da mensagem, órgãos estaduais da Defesa Civil passaram a esclarecer que não haviam emitido qualquer alerta. No Paraná, as autoridades afirmaram que não existia previsão de evento severo que justificasse o envio da notificação.
O órgão paranaense informou ainda que acionou a Defesa Civil Nacional e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para apurar o ocorrido e identificar a origem do disparo.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo também comunicou que está em contato com a Anatel para acompanhar as investigações e colaborar na apuração do caso.
Suspeita de ataque hacker
O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, afirmou ao Metrópoles que a principal hipótese é a de uma ação criminosa contra o sistema.
“Provável ataque [hacker]. O Paraná foi o primeiro, depois outras unidades da Federação. O Paraná notificou a Anatel. Creio que o caso seja analógico. Vamos esperar a resposta oficial deles”, declarou.
A avaliação do secretário reforça a suspeita levantada pelo próprio governo federal, que considera a possibilidade de um ataque cibernético como a causa mais provável para a invasão registrada durante a madrugada.
Nota oficial do ministério
Em comunicado, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional detalhou as medidas adotadas após a identificação da falha de segurança.
“A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A mensagem disparada foi do tipo Alerta Extremo e continha a palavra ‘misantropia’ “ que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um ataque hacker. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas”.
Segundo o governo, a plataforma só voltará a operar após a implementação e verificação de todas as condições necessárias para garantir a segurança do sistema e evitar novos acessos indevidos.
