Governo restringe produção de seringas contra a covid-19

O governo Bolsonaro dá mais uma demonstração de que dificulta a aquisição de seringas para realizar a vacinação em massa da população. Indústria do setor denuncia que modelo único adotado pelo Ministério da Saúde para imunização cria restrições

(Foto: ABr)
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247 - O Brasil corre o risco de não ser abastecido suficientemente pela produção de seringas para realizar a imunização da população contra a covid-19. É alta a possibilidade de interrupção da campanha de vacinação , depois que for iniciada porque o Ministério da Saúde restringiu a vacinação a apenas um modelo de seringa: a de 3 ml com o chamado “bico de rosca”, limitando a produção nacional a 1,5 milhão por dia.

A indústria nacional pode não dar conta da demanda a tempo da chegada das doses em todos os estados. 

O diretor-técnico da  fábrica SR na Zona Franca de Manaus, Tomé da Silva, diz à Folha de S.Paulo que  "quando o Ministério escolhe apenas um modelo de seringa , em cima da hora, ele limita toda a capacidade de produção das empresas, porque as linhas de produção levam até um ano para serem adaptadas para um novo molde. Vai acontecer isso, de alguns estados terem seringa de 3 ml e outros não para a vacina".

Para se ter uma ideia do impacto, nas duas fábricas da SR, em Manaus e em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, a capacidade de produção é de 3,5 milhões de seringas por dia, de todos os modelos. Considerando apenas o modelo de 3 ml especificado pelo MS, cai para 500 mil por dia. Já somando os quatro modelos defendidos usados pelo PNI, passa para 2 milhões por dia.

Entretanto, a produção diária do país poderia ser de 6 milhões de seringas por dia, caso a especificação técnica do Ministério da Saúde autorizasse o uso dos quatro volumes de seringas utilizados pelo Plano Nacional de Imunização em campanhas de vacinação realizadas em anos anteriores: de 0,5 ml, 1 ml, 3 ml e 5 ml. As seringas seriam combinadas com modelos diferentes de bicos e agulhas para se adaptar a cada necessidade.

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