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Governo só avança com indicação de Messias ao STF com votos garantidos

Planalto estipula margem de 55 a 60 apoios no Senado antes de enviar mensagem formal e aposta em articulação após recesso legislativo

Presidente Lula indica Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - Com a retomada dos trabalhos legislativos, o principal eixo da articulação em torno da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser a consolidação de uma ampla margem de votos no Senado. O governo decidiu só avançar com o rito formal quando houver segurança política suficiente para uma aprovação confortável em plenário.

A estratégia foi revelada pelo SBT News, que ouviu interlocutores próximos ao ministro. Segundo esses relatos, o Planalto trabalha com um patamar considerado seguro de 55 a 60 votos favoráveis antes de encaminhar ao Senado a mensagem presidencial que formaliza a indicação. Embora a Constituição exija apenas 41 votos para a aprovação de um ministro do STF, a avaliação interna é de que qualquer risco de derrota ou placar apertado deve ser evitado.

De acordo com aliados de Messias, o envio da mensagem só ocorrerá quando houver a certeza de que o cenário está plenamente favorável. Nas palavras desses interlocutores, a orientação é não avançar “enquanto o mar estiver revolto”. A cautela reflete a experiência do ano passado, quando a resistência a seu nome era considerada elevada e o ambiente político no Senado era mais hostil.

Sem a formalização da indicação pelo Executivo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fica impedido de pautar a sabatina e a votação. Em 2025, o senador chegou a anunciar uma data para a audiência, mas posteriormente cancelou o compromisso para evitar questionamentos regimentais, após criticar a condução do processo pelo governo.

O patamar de votos buscado agora é significativamente superior ao registrado em indicações recentes. Flávio Dino, por exemplo, foi aprovado para o Supremo com 47 votos dos 81 senadores. Aliados de Messias ponderam, contudo, que o ex-ministro da Justiça enfrentava um nível maior de rejeição e que a atual indicação foi impactada por disputas políticas internas no Senado, especialmente envolvendo o interesse de Alcolumbre em emplacar o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na Corte.

Desde que foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 20 de novembro, Jorge Messias intensificou o trabalho de bastidores e já conversou pessoalmente com cerca de 70 senadores. A leitura no entorno do ministro é de que o clima hoje é mais favorável do que no ano passado e que, com o reinício das atividades parlamentares, será possível medir com mais precisão o tamanho real da base de apoio.

Apesar do avanço na contagem de votos, um ponto central ainda permanece pendente. Até agora, não houve uma conversa direta entre Messias e Davi Alcolumbre. O ministro da AGU solicitou audiência com o presidente do Senado logo após a confirmação da indicação, mas ainda não foi recebido. A expectativa no governo é de que esse encontro seja decisivo para destravar o processo, desde que a margem de segurança desejada esteja consolidada.