Greenwald: “O mais bombástico ainda será publicado”

"Os materiais mais bombásticos e importantes ainda não foram publicados, mas logo serão", afirma o jornalista Glenn Greenwald sobre a série de reportagens do site Intercept Brasil que revela irregularidades da Lava Jato; "Tem muitas revelações graves"

Glenn Greenwald
Glenn Greenwald (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

247 - "Os materiais mais bombásticos e importantes ainda não foram publicados, mas logo serão", afirma o jornalista Glenn Greenwald sobre a séria de reportagens do site Intercept Brasil que revela irregularidades da Operação Lava Jato.

"Tem muitas revelações graves. Essas seis semanas que começamos a publicar foram muito pouco tempo para um acervo deste tamanho. Então, com certeza, vai ter muito mais revelações graves no futuro", acrescentou ele durante entrevista ao site Metrópoles (DF).

Atingido em cheio pelas revelações, o ministro Sérgio Moro (Justiça) publicou uma portaria que pode resultar na deportação do jornalista. "Esta Portaria regula o impedimento de ingresso, a repatriação, a deportação sumária, a redução ou cancelamento do prazo de estada de pessoa perigosa para a segurança do Brasil ou de pessoa que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal", diz o texto (veja aqui).

Greenwald ficou conhecido internacionalmente em 2013, quando divulgou em parceria com Edward Snowden a existência dos programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos, efetuados pela sua Agência de Segurança Nacional (NSA). O jornalista comparou este caso com as reportagens do Intercept sobre a Lava Jato.

"Uma diferença é que o material do Snowden era sobre segurança nacional. Então, por um lado foi um pouco mais sensível, porque com materiais e segredos sobre segurança nacional você pode errar e acabar publicando algo que deixa alguém em perigo sério, perigo de morte. Então, por um lado é mais perigoso. Mas, por outro, o material que estamos trabalhando agora é sobre as pessoas mais poderosas deste país que já mostraram que quebrariam qualquer lei ou código de ética para realizar seus fins. Então, eu acho que a reportagem que estamos fazendo, neste caso, é mais perigosa, com mais risco, que a reportagem que fizemos, pelo fato de a matéria ser sobre o governo atual", disse.

"Durante a época do Snowden, eu estava no Brasil ou na Alemanha reportando sobre outros governos, com distância. Mas, agora, as pessoas que estamos revelando, divulgando, denunciando, são muito mais próximas e têm mais controle sobre nós. Então, o material é mais perigoso", continuou.

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