Guerra do clã religioso Moon chega à Justiça de SP

Tribunal de Justia proibiu Preston Moon, filho mais velho do coreano Moon, de celebrar cultos religiosos no Brasil. Chefe espiritual da Igreja Unificao pela Paz Mundial, o pai possui fortuna estimada em US$ 75 milhes

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Guerra do clã religioso Moon chega à Justiça de SP (Foto: Divulgação)


Fernando Porfírio _247 – A guerra intestina no clã da família coreana Moon pelo controle de uma seita religiosa levou o Tribunal de Justiça de São Paulo a proibir Preston Moon, filho mais velho do reverendo Moon, de celebrar cultos religiosos no Brasil. O reverendo sul coreano Sun Myung Moon é chefe espiritual da Igreja Unificação pela Paz Mundial, com atuação no Brasil.

Moon prega uma mistura de moral puritana com filosofia oriental e se propõe a transformar o mundo numa grande família sob sua liderança. Ele tem uma fortuna estimada em US$ 75 milhões e um exército de 45 mil seguidores. O líder religioso se autoproclama terceiro filho de Deus – depois de Adão e Jesus Cristo.

Pela decisão, seu filho está impedido de celebrar cultos religiosos na Associação das Famílias para Unificação da Paz Mundial (AFUPM). A corte paulista entendeu que há indícios de que o filho de Moon não está legitimado para pregar a seus adeptos, pois teria sido afastado pelo pai da diretoria de uma das associações que integra a seita religiosa.

A liminar que proíbe Preston Moon de dirigir cultos religiosos no Brasil foi decidida pela 4ª Câmara de Direito Privado. O relator do recurso, desembargador Ênio Zuliani, entendeu que a medida cautelar era necessária para evitar embaraços e constrangimentos ao pleno exercício da liberdade de crença e de culto.

Preston Moon é acusado por um dos líderes da seita no Brasil de invadir a sede da igreja, tomar o microfone de Neudir Simão Ferabolli no altar cerimonial e ainda agredir o religioso brasileiro com chutes, croques, golpes físicos e ofensas verbais. As agressões ocorreram em maio de 2010.

De acordo com a investigação, em 31 de maio de ano passado, Preston Moon, acompanhado por diversos seguidores, entrou no templo religioso da AFUPM. A invasão ocorreu durante cerimônia denominada Hoon Do Kae. Preston passou a presidir a cerimônia, retirando a palavra de Neudir Simão Ferabolli, presidente da AFUPM.

“Existem sérios indícios que recomendam a proibição de que o agravado [Preston Moon] celebre cultos no Brasil, porquanto não se constata que tenha sido autorizado a participar do culto presidido pelo representante da Igreja no Brasil, tomando-lhe a palavra e agindo de modo ofensivo perante os fiéis ali presentes, havendo notícia de que tais fatos são objetos de apuração na esfera criminal”, afirmou Zuliani.

Ao conceder a liminar, o desembargador Êni Zuliani se baseou numa declaração firmada pelo reverendo Moon e outro líder religioso Hak Já Han. Os dois determinaram o afastamento de Preston Moon dos cargos de direção de uma das associações integrantes da Family Federation for Worls Peace and Unification (FFWPU), conhecida como Union Church Internationl (UCI).

Em outra Circular Internacional o reverendo Moon teria reconhecido como seu sucessor o filho mais novo Hyung Jin Nin em detrimento do filho mais velho Preston Moon. O fato teria frustrado as expectativas naturais do filho mais velho de suceder o pai na condução dos destinos da FFWPU.

Entre 2002 e 2004 a seita do reverendo Moon foi investigada por suposto crime de sonegação fiscal. A entidade religiosa também foi acusada por suposta compra ilegal de 50 fazendas no Mato Grosso do Sul, ao custo estimado de 35 milhões de reais. Com cerca de 83 mil hectares de terra, Moon foi acusado de estar tentando construir um país bem no meio do Centro-Oeste.

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