Guerra do metrô mostra força das redes sociais

A populao de Higienpolis barrou uma estao de metr na regio, mas o Ministrio Pblico entra na briga para garantir direito de transporte ao povo

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Gisele Federicce_247 – O governo de São Paulo desistiu de construir uma estação de metrô na Avenida Angélica, localizada no bairro Higienópolis, bairro nobre da região central da cidade. A decisão ocorreu após moradores e comerciantes da região protestaram de diversas formas contra o projeto, ao longo de 2010. A pressão deu resultado e o governo anunciou que a nova estação que deve compor a linha 6-Laranja seria ativada na praça Charles Miller, próxima ao estádio do Pacaembu. Mas se a população de Higienópolis achava que havia vencido a batalha, deu com os burros n´água. Um protesto organizado nas redes sociais, como Twitter e Facebook, revelou a capacidade de mobilização da população brasileira. Em dois dias, mais de 40 mil pessoas já confirmaram presença no evento “Churrascão da gente diferenciada”, criado pelo jornalista Danilo Saraiva. Será um “churrasco de gato”, em frente ao shopping Pátio Higienópolis, que levará o chamado “povão” a conhecer as maravilhas do bairro. O movimento conta com apoio do Brasil 247 – leia também o artigo “Gente limpinha”, do jornalista Leonardo Attuch, a respeito do tema.

O movimento organizado por Danilo Saraiva é mais uma prova do poder de fogo das redes sociais. Há duas semanas, o Brasil 247 lançou o movimento virtual #precojusto pela redução dos impostos incidentes sobre o preço dos tablets e demais eletrônicos no Brasil – o movimento já está batendo em meio milhão de assinaturas. Tais manifestações sociais, naturalmente, geram reações do poder público e saem do mundo virtual para a realidade concreta. No caso do #precojusto, o governo acelera estudos para baratear os tablets e o colunista Felipe Neto, mentor da ideia, pretende entregar as assinaturas à presidente Dilma Rousseff em Brasília. No caso do metrô de Higienópolis, os procuradores entraram em ação. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) já solicitou à presidência do Metrô e à Secretaria de Transportes Metropolitanos informações sobre a mudança de local de uma das estações da Linha 6-Laranja, em Higienópolis, uma das regiões mais nobres da capital paulista.

O promotor de Habitação e Urbanismo, Antônio Ribeiro Lopes, quer saber se a troca de localização da estação, que estava prevista para ser construída na esquina da Avenida Angélica com a Rua Sergipe, foi uma decisão técnica e quais critérios foram adotados para o procedimento. “Se as explicações forem convincentes, se a decisão for realmente técnica, o processo será arquivado. Mas se a decisão foi feita por pressão de um grupo de moradores, iremos discutir as razões que estão levando a esta decisão”, afirma o promotor. “Não podemos aceitar a ideia de que um grupo de pressão seja capaz de determinar onde fica uma estação de metrô”.

O nome do bairro de Higienópolis já sinaliza seu conceito. Trata de higiene social. Mas, de acordo com o promotor, não faz o menor sentido restringir direitos da população em nome de privilégios de uma minoria.

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