Haddad diz que militares ignoram soberania e que Brasil virou protetorado dos Estados Unidos

Em artigo publicado neste sábado (3), Fernando Haddad aponta o aspecto central do governo de Jair Bolsonaro, que é a submissão do Brasil aos interesses de Donald Trump, e cita a deturpação do conceito de soberania nacional, "reduzida à ideia de defesa do território". Para o ex-prefeito de São Paulo, "os militares parecem totalmente entregues a agenda ultraliberal de Guedes"

Fernando Haddad, Donald Trump e Jair Bolsonaro
Fernando Haddad, Donald Trump e Jair Bolsonaro (Foto: Haddad, Trump e Bolsonaro)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

247 - Em artigo publicado neste sábado (3), na Folha de S.Paulo, Fernando Haddad comenta o livro “Forças Armadas e Política no Brasil" (2005), de José Murilo de Carvalho, relançado em 2019 com textos inéditos.

"O autor nota que cinco das nossas sete Constituições, inclusive a atual, atribuem papel político aos militares, como se a República precisasse de uma bengala e a democracia não pudesse resolver os problemas nacionais nos seus próprios termos", observa Haddad.

Candidato à presidência em 2018, Haddad cita novo capítulo do livro que relembra a postagem do general Villas Bôas às vésperas do julgamento do pedido de habeas corpus a favor do ex-presidente Lula no STF, em abril de 2018.

"Embora a mensagem do general falasse de respeito à Constituição, na realidade a agredia, pois pressionava um poder da República a contrariá-la", escreve.

O livro, segundo Haddad, retoma o papel que os militares desempenharam nos golpes de Estado de 1937 e 1964. "Depois da leitura, impossível não conjecturar sobre as semelhanças e diferenças com o momento atual", comenta.

Entre as semelhanças, "assim como Getúlio (quando os militares lhe retiraram o apoio) e Jango, Lula parece ter sido vítima de um sentimento antipopular refratário à promoção da incorporação das massas via participação no mercado e na política. Soberania popular é um conceito que não foi plenamente assimilado pelos militares", escreve Haddad.

Em relação às diferenças, o ex-prefeito de São Paulo cita "a deturpação do conceito de soberania nacional, reduzida à ideia de defesa do território. Os militares parecem totalmente entregues a agenda ultraliberal de Guedes, que anunciou a pretensão de vender todas as empresas estatais brasileiras e de abrir unilateralmente o nosso mercado".

"Pelo jeito, restará ao povo deste novo protetorado americano vender bijuterias de nióbio em Angra dos Reis", ironiza Haddad.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247