Helena Chagas: nem Bolsonaro sabe o que será o governo Bolsonaro
A jornalista e ex-ministra da Comunicação Social do governo Dilma Rousseff, Helena Chagas, avalia que a incerteza marcará os primeiros passos do governo eleito de Jair Bolsonaro, marcado com avanços e recuos nas declarações; "Com a articulação das bancadas e a eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado, veremos qual será sua capacidade de negociação", disse ela em entrevista à TV 247; Helena avalia a relação conturbada que Bolsonaro terá com a imprensa; "A retaliação aos veículos de comunicação é um discurso anacrônico"
TV 247 - "Nem Bolsonaro sabe o que será o governo Bolsonaro". Essa é a a constatação de Helena Chagas, jornalista e ex-ministra das Comunicações (Secom) do governo Dilma, ao observar a postura do recém-eleito presidente que, segundo ela, "avança e recua sempre em suas declarações". Em entrevista concedida à TV 247, a jornalista analisa as primeiras movimentações do governo, dizendo que, em fevereiro, a capacidade de governabilidade de Bolsonaro será testada. "Com a articulação das bancadas e a eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado, veremos qual será sua capacidade de negociação", projeta.
Helena chagas afirma que Bolsonaro terá uma relação conturbada com a imprensa. Para ela, "a retaliação aos veículos de comunicação é um discurso anacrônico".
A jornalista refere-se às últimas declarações do recém-eleito presidente da República, que ameaçou cortar verbas publicitárias de canais de imprensa que o criticassem. A Folha de S. Paulo é uma das suas principais miras.
"Ameaçar cortes em verbas publicitárias parte de uma premissa errada de que o dinheiro não é público, parece que é uma Bolsa Imprensa", condena.
Composição de governo
Ao avaliar o início da composição do governo, ela considera que "nem Bolsonaro sabe o que será o governo Bolsonaro", apontando que "a cada dia ele fala uma coisa diferente, avançando e recuando em suas declarações".
"Em fevereiro, com a negociação das bancadas e a eleição dos presidentes da Câmara e Senado, veremos qual será sua capacidade de negociação para garantir a governabilidade".
Helena Chagas não acredita que o governo Bolsonaro terá espaço livre para uma linha ditatorial. "Se caso ocorrer tentativas de endurecimento, existirão reações. Ele não tem autoridade para passar por cima do Congresso Nacional ou do Supremo Tribunal Federal (STf)", projeta.
Democratização da mídia
Durante o governo Dilma, Helena Chagas explica que a distribuição das verbas publicitárias deveria atender a critérios da mídia técnica. "É natural que o governo invista em campanhas publicitárias que tragam mais audiência", elucida, ao justificar um maior investimento financeiro nos grandes veículos de imprensa.
No entanto, ela diz que as políticas de comunicação de Dilma também democratizaram a distribuição das verbas publicitárias, não financiando apenas os grandes grupos de imprensa. "Se o cidadão é ouvinte de uma rádio lá no interior do Amapá, é legitimo que esse veiculo tenha publicidade governamental. Isso é democracia", argumenta.
A jornalista defende que, no que tange a concessão pública, as rádios e TVs deveriam ser regulamentadas. Já o que tange a propriedade privada, Helena Chagas considera que alguns pontos devem ser flexibilizados. "A lei precisa acompanhar as mudanças do mundo. Não dá, por exemplo, para proibir um empresário de ter um site e canal no Youtube ao mesmo tempo", ressalta.
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