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Henry Sobel reconhece falha moral em roubo de gravatas

Seis anos após ocorrido e prestes a deixar o Brasil, rabino assume furto nos EUA por fraqueza de caráter, não por debilidade física. A versão de desordem psicológica, depressão e efeito de remédios foi divulgada no livro autobiográfico, Um Homem, um Rabino (Ediouro, 2008), com prefácio de Fernando Henrique Cardoso

Henry Sobel reconhece falha moral em roubo de gravatas

247 – Após seis anos, rabino Henry Sobel mudou sua versão sobre o polêmico caso de furto de gravatas numa loja de Palm Beach, nos Estados Unidos, que denegriu sua imagem na Congregação Israelita Paulista (CIP).

Antes ele alegava que o furto fora motivado por desordem psicológica, depressão e efeito de remédios – versão bancada no livro autobiográfico, Um Homem, um Rabino (Ediouro, 2008), com prefácio de Fernando Henrique Cardoso.

Agora, em entrevista ao Estado de S. Paulo, ele assume que furtou por fraqueza de caráter, não por debilidade física. "Desde jovem, fui um intolerante comigo. E o autojulgamento sempre foi severo demais. Mas o rabino é humano, portanto, falível."

Quase aos 70 anos, casado com Amanda e pai de Alisha, filha única, prepara-se para viver em Miami.

Leia trechos da entrevista:

Brasil

Mas resolvi deixar o País para diminuir o ritmo e preparar a aposentadoria. Passarei um período sabático em Miami. Lá vou me dedicar à leitura, escrever e refletir muito.
A comunidade judaica daquela região é relativamente bem organizada.

Comparação com anos 70

Hoje sou um rabino machucado. Por motivos políticos. Vou dar um exemplo: minha congregação não me convocou para encontrar o papa Francisco na visita dele ao Brasil. Isso me magoou.

Caso das gravatas

Antes não havia tido coragem nem vontade. Aquele foi um episódio desgastante, cheguei a pedir desculpas diante de câmeras das principais emissoras de TV do Brasil. Falei em problema de saúde e no uso de um medicamento para dormir, o Rohypnol. Para ser e me sentir honesto, admito que cometi um erro. Uma falha moral minha.

Mudança

O autojulgamento sempre foi severo e o sentimento de culpa, duradouro. Finalmente consegui me conscientizar de que o rabino é humano, portanto, falível. O incidente das gravatas é do conhecimento público, não preciso entrar em detalhes aqui... Tento me perdoar, o que não é fácil, porque perdoar não é esquecer. Se fosse, não haveria mérito no perdão.