‘Ilha do Tesouro’ escondia 2,5 kg de ouro, prata e luxo

Operao Alquimia prendeu31 pessoas; ilha apreendida, na Bahia, tinha 15 jet skis e vrias lanchas; 247 apurou que ela pertence ao baiano Paulo Cavalcanti; Grupo Odebrecht negou em nota ter participao na trama



247 – Já chega a 31 o número de pessoas presas hoje durante a Operação Alquimia, da Polícia Federal, realizada simultaneamente em 17 Estados do País. A movimentação policial se dá em torno de um esquema de fraudes sobre a Receita Federal que pode somar R$ 1 bilhão em não recolhimento de impostos devidos. A PF estima que cerca de 300 empresas possam estar envolvidas na trama.

A apreensão mais vistosa é a de uma ilha inteira, no litoral da Bahia, com 20 mil metros quadrados. Assim que chegaram a ela, os agentes da PF a apelidaram de Ilha do Tesouro, em razão do que foi encontrado na residência nela instalada. Nada menos que 2,4 quilos de ouro em barras, lingotes de prata, cerca de 15 jet skis e várias lanchas. O nome do proprietário não foi divulgado oficialmente. Brasil 247 apurou que ela pertence ao empresário baiano Paulo Cavalcanti.

Leia abaixo noticiário de 247 sobre a Operação Alquimia:

No mesmo dia em que delegados federais divulgaram um manifesto contra a corrupção, a Polícia Federal deflagrou uma megaoperação em 17 estados brasileiros. Sabe-se agora que o alvo maior é a empresa petroquímica Varient que, até o ano passado, pertencia à Braskem, subsidiária da Odebrecht, o maior grupo de construção pesada do Brasil, com mais de 100 mil empregados. No ano passado, a Braskem vendeu a Varient para o grupo Sasil, do empresário Paulo Cavalcanti.

No lance mais espetacular da operação, a PF confiscou uma ilha com heliporto nas proximidades de Salvador. Cavalcanti é o dono.

Num comunicado à imprensa de setembro de 2009, a Braskem, subsidiária da Odebrecht, anunciou a criação da Varient. Leia o texto abaixo:

“Com a cisão da unidade de negócios de polímeros da antiga distribuidora quantiQ, a Braskem anunciou a criação da Varient, a nova distribuidora das resinas da empresa. A unidade, que inicia suas operações em setembro, nasce com o objetivo de agregar mais valor aos clientes e ao negócio através da priorização, do aumento do foco e da especialização na comercialização de resinas termoplásticas.

A Varient é controlada pela Braskem e foi concebida para ser 100% independente em termos de empresariamento, gestão e estratégias operacionais de negócios. O investimento inicial na implantação da operação foi estimado em cerca de R$ 20 milhões e o faturamento bruto estipulado é da ordem de R$ 200 milhões por ano, para o primeiro ano de produção.

A sede da Variant será em São Paulo e seu mercado de atuação compreenderá todo o território nacional. No primeiro momento, a operação estará apoiada em uma estrutura logística que completa cinco centros de distribuição de resinas: Canoas (RS), Araucária (PR), Guarulhos (SP), Duque de Caxias (RJ) e Recife (PE).”

Em meados de 2010, a companhia foi vendida por cerca de US$ 80 milhões para o grupo Sasil, de Cavalcanti. A própria BR Distribuidora disputou o negócio.

Em nota, a Braskem, do grupo Odebrecht, refuta estar sendo alvo da operação Alquimia. Leia:

"A Braskem esclarece que não tem qualquer vínculo societário com empresas investigadas por atos fiscais irregulares apurados pela Operação Alquimia da Polícia Federal. Até meados de 2010, a Companhia detinha o controle da empresa Varient, criada a partir de uma cisão na Ipiranga Química, adquirida em 2007. A Varient foi vendida integralmente à Sasil em junho do ano passado. Durante o período em que teve responsabilidade sobre a gestão da Varient, a Braskem, como de praxe, sempre agiu no estrito cumprimento da lei e nunca esteve envolvida em nenhum tipo de irregularidade. A empresa ressalta que não recebeu qualquer notificação das autoridades envolvidas na operação."

Na Operação Alquimia, as investigações começaram em 2002. A PF já prendeu 18 pessoas e deteve 42 para prestar depoimento na megaoperação – uma das maiores do gênero no país – para reprimir crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha. A ação ocorreu em 17 estados e no Distrito Federal.

De acordo com a PF, o grupo adquiria produtos por intermédio de empresas laranjas que decretavam falência quando eram autuadas por órgãos de fiscalização tributária. Entre os bens bloqueados pela Justiça, estão carros de luxo, caminhões, carretas, móveis, instalações industriais, dinheiro depositado em conta, aeronaves, embarcações e até uma ilha particular de 20 mil metros quadrados localizada na costa de Salvador. Na ilha, a polícia apreendeu barras de ouro e prata em um cofre.

Foi a 3ª Vara Federal da subseção de Juiz de Fora - cidade onde as investigações começaram, há nove anos - que determinou o sequestro de bens de empresários envolvidos com o esquema que teria levado da União e de estados cerca de R$ 1 bilhão, segundo estimativas da Receita Federal, parceira da PF na operação. O valor final das sonegações será apurado nos próximos meses a partir da análise de documentos e computadores recolhidos nesta quarta-feira.

Foram expedidos 31 mandados de prisão temporária e 129 de busca e apreensão, além de 63 mandados de condução coercitiva. Os bens de 62 pessoas e 195 empresas foram sequestrados. Os presos são suspeitos de participação em fraudes que envolvem cerca de 300 empresas nacionais e estrangeiras. Segundo a PF, essas empresas "enriqueceram com facilidade desigual, às custas de graves lesões ao erário".

Para cumprir todas as medidas, foram acionados cerca de 90 auditores fiscais da Receita e 500 policiais federais. O foco da investida são os estados de Minas Gerais, Bahia e São Paulo. Mas as ações ocorreram também em: Alagoas, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. A maioria das prisões foi feita na Bahia.

Empresas em paraísos fiscais

Os investigadores constataram também o uso de cerca de 30 empresas estrangeiras, com sede em paraísos fiscais, algumas delas nas Ilhas Virgens Britânicas. Descobriu-se ainda o envolvimento de fundos de investimento e factorings. Entre os artifícios para a sonegação, estava a declaração de bens como carretas e caminhões, aos quais era atribuído o valor de apenas R$ 1 cada.

As empresas de fachada investigadas pela Operação Alquimia atuam em diversos ramos: produtos químicos, transportes, eventos em geral, alimentos, fomento mercantil, locação de banheiros químicos, assessoria e consultoria, participações em outras companhias e administração de bens móveis e imóveis. Ainda de acordo com os investigadores, tamanha diversidade tinha o objetivo de gerar a falsa impressão de que o grupo criminoso na verdade não era apenas um, e, sim, vários.

Em Brasília, os agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva de um empresário no Lago Sul, área nobre da capital. (com informações do portal G1)

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

Cortes 247

WhatsApp Facebook Twitter Email