Incêndios florestais provocaram perda de cobertura vegetal recorde em 2016

Somente em 2016, o mundo perdeu 29,7 milhões de hectares em cobertura florestal por conta de incêndios, segundo dados da ONG Global Florestal Watch (GFW); ainda de acordo com a ONG, os incêndios no Brasil e na Indonésia fizeram sumir uma área de florestas do tamanho da Nova Zelândia 

=Bombeiros trabalham para apagar incêndio perto do município de As Neves, na Espanha 15/10/2017 Ministério de Defesa da Espanha/UME/Luismi Ortiz/Divulgação via REUTERS
=Bombeiros trabalham para apagar incêndio perto do município de As Neves, na Espanha 15/10/2017 Ministério de Defesa da Espanha/UME/Luismi Ortiz/Divulgação via REUTERS (Foto: Charles Nisz)

Reuters - Incêndios florestais no Brasil e na Indonésia contribuíram para uma perda de cobertura vegetal global recorde em 2016 e equivalente ao tamanho da Nova Zelândia, informou uma rede independente de monitoramento de florestas nesta segunda-feira.

O aquecimento global causado pelo homem aumenta os riscos de incêndios florestais por agravar o calor extremo e a seca em algumas regiões, disse a entidade. Neste ano, o Estado norte-americano da Califórnia e Portugal foram alguns dos locais vitimados por incêndios fatais. 

No mundo todo, a perda de cobertura de árvores aumentou 51 por cento em 2016 na comparação anual, para 29,7 milhões de hectares, de acordo com dados da Universidade de Maryland compilados pela Global Forest Watch (GFW).

Foi um aumento recorde nos registros da GFW, existentes desde 2000, e que contrasta com algumas outras medições de satélite que indicam uma redução no ritmo de desmatamentos realizados para abrir caminho a fazendas, estradas e cidades.

”Vimos um aumento bastante dramático em 2016“, disse Mikaela Weisse, analista de pesquisas do centro de estudos norte-americano Instituto de Recursos Mundiais, que supervisiona o GFW, à Reuters. ”Isso parece se relacionar a incêndios florestais em países que incluem Brasil, Indonésia e

Portugal.”

A GFW mede a perda de cobertura vegetal e não estima mudanças líquidas em florestas para levar em conta o replantio e novas plantações. Em uma floresta bem administrada, por exemplo, o crescimento de novas árvores jovens compensa as perdas causadas pelas lavouras.

Em contraste, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), usando métodos diferentes, diz que o índice líquido global de desmatamento diminuiu em mais de 50 por cento nos últimos 25 anos.

Uma avaliação de 2015 da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que o mundo perdeu 129 milhões de hectares de florestas desde 1990, área equivalente à África do Sul.

A GFW disse que a região amazônica brasileira perdeu quase 3,7 milhões de hectares de cobertura vegetal no ano de 2016, quase três vezes mais do que em 2015.

Isso contrasta com dados oficiais do Brasil, que mostram que o desmatamento na Amazônia recuou 16 por cento no ano transcorrido até julho de 2017 quando comparado ao mesmo período de um ano antes e que se tratou do primeiro declínio em três anos.

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