Indigenista da Funai e jornalista do The Guardian desaparecem no Vale do Javari, na Amazônia

O indigenista Bruno Araújo recebia ameaças constantes por sua atuação junto aos indígenas contra invasores na região, pescadores, garimpeiros e madeireiros

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Divulgação/Funai/Arquivo | Reprodução Twitter/@domphillips | Ricardo Lima/Reuters (Foto: Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips)


247 - O indigenista Bruno Araújo Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e o jornalista inglês Dom Phillips, repórter freelancer do jornal The Guardian, desapareceram no Vale do Javari, na Amazônia, quando faziam o trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte. De acordo com informações do jornal O Globo, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Exército já foram acionados para realizar as buscas. A informação foi confirmada pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Segundo a Univaja, quando desapareceram, Bruno e Dom iam visitar uma equipe de Vigilância Indígena chamada Lago do Jaburu, para que o jornalista entrevistasse indígenas que faziam denúncias de invasores na região, pescadores, garimpeiros e madeireiros. O indigenista, inclusive, era alvo de constantes ameaças em virtude do trabalho de denúncia que exercia junto às comunidades. 

Ainda de acordo com a reportagem, os dois chegaram no Lago do Jaburu no dia 03 de junho de 2022, às 19h25. No dia 05, eles retornaram logo cedo para a cidade de Atalaia do Norte. “No entanto, antes eles pararam na comunidade São Rafael, em uma visita previamente agendada, para que o indigenista Bruno Pereira fizesse uma reunião com o comunitário apelidado de 'Churrasco', com o objetivo de consolidar trabalhos conjuntos entre ribeirinhos e indígenas na vigilância do território, bastante afetado pelas intensas invasões”, diz a reportagem. 

Apesar do Vale do Javari ser uma região de difícil acesso, pois tem a  maior concentração de povos isolados do mundo, os líderes da Univaja acharam estranho a demora de Bruno, pois ele é experiente e conhece bem a região, pois foi Coordenador Regional da Funai de Atalaia do Norte por anos. Além disso, a embarcação que saiu com o jornalista era nova e estava com 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem, além de sete tambores vazios de combustível.

Um dos membros da Univaja relatou que na última semana a equipe sofreu ameaças em campo e que Polícia Federal e Ministério Público Federal em Tabatinga, já tinham conhecimento das denúncias. 

De acordo com o The Guardian, Phillips estava trabalhando em um livro sobre meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson.

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