Indulto para assassinos já desgasta Moro, diz Fernando Brito

Tecnicamente, não existe a distinção que Sérgio Moro quis fazer em suas declarações, dizendo que os indultos, antes, eram "salva-corruptos. Se quiser ir por aí, vai ter que aceitar que se chame a sua obra, indultando condenados por homicídio, de “salva-assassinos”, diz o editor do Tijolaço

Sergio Moro e Jair Bolsonaro
Sergio Moro e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Correa/PR)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço – Com a natural demora de véspera de Natal, começam a surgir as reações ao decreto de indulto da dupla Bolsonaro-Moro.

Um subprocurador-geral da República, em O Globo, chama o texto de “ornitorrinco jurídico” numa alusão ao bichinho australiano que é mamífero, mas tem bico e bota ovo, como as aves.

Natural, o texto mistura indulto – que é genérico – com graça, hoje em desuso, que é perdão adstrito a um grupo de indivíduos.

Mas isso não é o pior, o pior é o exercício arbitrário da faculdade de indultar presos fora dos limites discricionários que sempre marcaram esta prerrogativa presidencial: o do tipo penal e da duração/cumprimento da pena.

Tecnicamente, não existe a distinção que Sérgio Moro quis fazer em suas declarações, dizendo que os indultos, antes, eram “salva-bandidos” e “salva-corruptos“.

Se quiser ir por aí, vai ter que aceitar que se chame a sua obra, indultando condenados por homicídio, de “salva-assassinos”.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247