Internação compulsória é o tratamento que traz menos retorno, diz psicóloga

A psicóloga do SUS Karina Lima, ativista do movimento Vivas, falou à TV 247 sobre doenças mentais e o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. Ela tratou também da lei sancionada por Bolsonaro que autoriza a internação contra a vontade do cidadão. “Isso vai na contramão dos estudos e da política de redução de danos”, explicou. Assista

Riot police detain people during a police operation in a neighborhood known to locals as Cracolandia (Crackland), in downtown Sao Paulo, Brazil May 21, 2017. REUTERS/Paulo Whitaker
Riot police detain people during a police operation in a neighborhood known to locals as Cracolandia (Crackland), in downtown Sao Paulo, Brazil May 21, 2017. REUTERS/Paulo Whitaker (Foto: PAULO WHITAKER)

247 - A psicóloga do SUS Karina Lima, que também é ativista do movimento Vivas, conversou com a TV 247 sobre o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio. Além disso, ela também comentou sobre doenças mentais e a lei sancionada por Jair Bolsonaro que autoriza a internação compulsória de dependentes químicos no Brasil.

Karina explicou que a internação contra a vontade do cidadão representa um retrocesso, vai contra os estudos da área e traz um resultado muito baixo para o paciente. “O retrocesso é bem grande por conta da lógica das comunidades terapêuticas, da internação novamente, do internamento. Na medida em que eles vão ocupando esses espaços é possível que volte essa lógica. A internação contra a vontade é uma internação que tem um resultado muito baixo”, disse em entrevista à jornalista Simone Nascimento no programa É Nós Por Nós.

“Como a gente lida com a diabetes, por exemplo? Quem tem diabetes não é obrigado a se tratar, e a questão sobre a saúde mental é a mesma coisa, se a gente faz um tratamento forçado esse tratamento não vai ter resultado porque a pessoa não quer fazer. Então você tira a autonomia do seu jeito e coloca esses corpos longe do convívio social”, completou.

A psicóloga ainda tratou da situação da mulher na sociedade que, nos movimentos de ativismo e de luta, encontram um espaço que lhes escuta. Ainda sim, de acordo com Karina Lima, a mulher sente dificuldades ao militar.

“Nos lugares de luta, principalmente a mulher tem a oportunidade de se posicionar e de falar. A mulher passa por muitos processos de silenciamento nos espaços sociais, e o movimento mobiliza. A mulher quando começa a militar, por experiência pessoal, é muito difícil porque interpela a gente na nossa identidade, qualquer movimento diferente da maternagem, do casamento é muito julgado. A gente é muito punida quando a gente performa de maneira diferente, quando a gente sai do script da sociedade. Não é fácil para a mulher militar, é tentar romper com o silêncio”.

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