Irmãos suspeitos de fraude na intervenção também foram investigados por contratos suspeitos na pandemia
Irmãos Glaucio e Glauco Octaviano Guerra, conhecidos como os irmãos Guerra, foram investigados por fraudes na compra de respiradores durante a pandemia
247 - A investigação sobre suspeitas de corrupção durante a intervenção militar no Rio de Janeiro trouxe à tona novas informações sobre os irmãos Glaucio e Glauco Octaviano Guerra, conhecidos como os irmãos Guerra. A investigação, que também abrange contratos suspeitos relacionados à pandemia da Covid-19, tem como alvo central os contratos firmados durante a intervenção federal no Rio, destaca o G1. Ainda conforme a reportagem, um terceiro irmão foi expulso da PF e também já foi preso.
Glaucio Octaviano Guerra, apelidado de Coronel Guerra, é um coronel da Aeronáutica reformado desde 2016. Seu irmão mais novo, Glauco, é um ex-auditor fiscal. Ambos são alvos da Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na terça-feira (12), que também investiga outros militares e empresários suspeitos de fraudes no uso de verbas do Gabinete da Intervenção Federal (GIF). O general Walter Souza Braga Netto, nomeado interventor, teve seu sigilo telefônico quebrado pela Justiça como parte dessa operação.
De acordo com a decisão da juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, os irmãos Guerra são proprietários da MHS Produtos e Serviços, uma empresa que representou a norte-americana CTU Security LLC no Brasil. A investigação da Polícia Federal apura crimes como contratação indevida, dispensa ilegal de licitação, corrupção e organização criminosa relacionados à contratação da CTU para aquisição de 9.360 coletes balísticos com um sobrepreço de R$ 4,6 milhões durante a intervenção federal no Rio. >>> Como ministro de Bolsonaro, Braga Netto manteve contato com lobistas e intermediários ligados a empresas suspeitas de corrupção
O documento da Justiça Federal aponta que Glaucio Guerra desempenhava um papel significativo na MHS, sendo responsável por estudos financeiros, contratos e prospecção de empresas estrangeiras para fornecimento de materiais diversos. Além disso, tinha a função de captar investidores para financiar os custos de produção da empresa.
“Essa não é a primeira vez que Glaucio se envolve com problemas na Justiça. Nascido em 1970, no Rio de Janeiro, ele ficou conhecido no Brasil como Coronel Guerra, ao ser citado em mensagens com o representante da empresa americana Davati Medical Supply, o cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominguetti. Os dois foram personagens da CPI da Covid, em 2021, quando Dominguetti teve o celular apreendido pelos parlamentares. Na ocasião, o Fantástico revelou as mensagens que indicavam que o PM negociava por cada dose de vacina vendida uma comissão de 25 centavos de dólar”, ressalta a reportagem.
Além das atividades no Brasil, Glaucio Guerra também ocupou um cargo na Divisão de Logística da Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington, nos Estados Unidos, em 2013.
Glauco Octaviano Guerra, o irmão mais novo, enfrentou problemas legais relacionados à Operação Mercadores do Caos em 2020, que investigou suspeitas de fraudes na área de saúde no Rio de Janeiro. A investigação incluiu a compra de 300 respiradores mecânicos, na qual a MHS estava envolvida e que nunca foram entregues. Ele chegou a ser preso em Belém do Pará.
Ainda segundo a reportagem, Glauco também fez parte de um grupo de auditores da Receita Federal investigados pela Corregedoria do órgão por enriquecimento ilícito. Meses depois, Glauco foi exonerado por ato de improbidade administrativa.