Isolamento e seca na Amazônia ameaçam exportações de milho do Norte

Seca amazônica estrangula tráfego fluvial, única alternativa da região, em meio a debates acalorados sobre pavimentação da BR-319

Imagem da seca no município de Benjamin Constant, no Alto Solimões
Imagem da seca no município de Benjamin Constant, no Alto Solimões (Foto: Defesa Civil AM)


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247 - Uma seca severa que assola os principais rios da região amazônica interrompeu o tráfego de navios perto de Manaus e aumentou os custos das rotas comerciais do Norte do país, elevando os riscos para as exportações de milho nos próximos meses.

O calor e a seca atípicos já limitaram o acesso das comunidades locais a alimentos e água potável, levando o governo federal a criar um grupo de trabalho para lidar com a emergência. As autoridades alertam agora que o baixo nível dos rios poderá prejudicar as exportações de cereais na região.

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"Há preocupação com o escoamento de parte da safra de milho, que deve levar de dois a três meses ainda", disse o Ministério da Agricultura em um comunicado, conforme a agência Reuters.

Os piores efeitos da seca concentraram-se a oeste de Manaus, capital do Amazonas, disse o ministério, acrescentando que o baixo rio Amazonas e o rio Tapajós possuem ainda condições de navegabilidade.

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Mas a navegação ao longo dos afluentes superiores do rio Amazonas, muitas vezes complicada na estação seca, tornou-se especialmente difícil.

Os rios da região amazônica têm sido fundamentais para os avanços logísticos pelos quais o Brasil consolidou as rotas de exportação do norte, aumentando a competitividade da potência sul-americana de grãos.

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No rio Madeira, o governo disse que os corredores de barcaças entre Porto Velho e Itacoatiara, onde operam empresas como Cargill, Bunge e Amaggi, "estão funcionais mas as cargas nas barcaças estão sendo diminuídas um pouco como medida de cuidado."

Os baixos níveis dos rios também afetaram a atracação de navios transoceânicos ao redor de Manaus e aumentaram os custos de pilotagem, disse Thiago Pera, coordenador de pesquisa logística da ESALQ-LOG. Ele disse que a abundante safra de soja do Brasil já está resolvida, mas as condições podem ser complicadas para o embarque da segunda safra de milho deste ano.

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O presidente-executivo da operadora de barcaças Hidrovias do Brasil, Fabio Schettino, disse que ainda não houve impacto em suas rotas ao longo do Tapajós, onde as barcaças normalmente operam com dois terços da capacidade na estação seca.

Schettino disse que as condições climáticas podem adiar a estação chuvosa, que geralmente começa em novembro, por "semanas ou um mês", acrescentando que vê o clima incomum como parte da variação anual, e não como uma "mudança estrutural".

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O meteorologista Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), disse que a seca deste ano na Amazônia pode ser a pior já registrada. Ele disse que a seca pode durar até 2024 se o El Niño se intensificar no Oceano Pacífico e não houver resfriamento das águas tropicais no Atlântico Norte.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), cujos membros também contam com portos do sul e sudeste para exportar soja e milho, disse que não mudou sua perspectiva de fortes exportações para este ano. O diretor-geral da Anec, Sergio Mendes, disse em comunicado que o clima ainda pode colocar as colheitas em risco.

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O Ministério da Agricultura disse que havia o risco de os custos de transporte subirem no Brasil sem um aumento correspondente nos preços globais, o que poderia pressionar os agricultores e comerciantes locais, acrescentando que "até agora não vemos esse impacto".

Em meio ao estrangulamento do transporte fluvial, aquecem os debates sobre a pavimentação da BR-319. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi recentemente questionada sobre as obras da BR-319 e a crise de estiagem no Amazonas, defendendo que o processo de licenciamento pelo Ibama é técnico. Enquanto isso, o senador Omar Aziz criticou a ministra por travar a obra, ressaltando a necessidade de infraestrutura para o bem-estar do povo amazonense e pedindo maior fiscalização ao invés de proibições. (Com informações da Reuters).

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