Juliano Medeiros anuncia candidatura à reeleição como presidente do PSOL
"Me sinto honrado em aceitar o desafio para conduzir nosso Diretório Nacional por mais uma gestão. Seguirei dando o melhor de mim para que o PSOL se fortaleça. Disso depende o futuro da luta pelo socialismo no Brasil", escreveu Medeiros em carta aos militantes da sigla
247 - O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, em carta publicada no site do partido, anunciou sua candidatura para mais uma gestão à frente da sigla.
No texto, Medeiros faz um balanço de seu mandato que, segundo ele, consolidou o PSOL "como porta-voz da renovação da esquerda brasileira, mantendo vivas as bandeiras do socialismo e da liberdade".
"O PSOL amadureceu sem perder sua rebeldia. Dei o melhor de mim nesses quase quatro anos para colaborar com essa gigantesca tarefa", escreveu.
O presidente, então, anuncia ter aceito "o desafio apresentado pelas tendências que compõem a tese “PSOL Popular” para conduzir nosso Diretório Nacional por mais uma gestão. Seguirei dando o melhor de mim para que o PSOL se fortaleça. Disso depende o futuro da luta pelo socialismo no Brasil".
Leia a carta na íntegra:
"Companheiras e companheiros,
Depois de meses de intensos debates, estamos concluindo o 7º Congresso Nacional do PSOL. Admito que esse não foi o congresso com o qual sonhamos. A pandemia impediu um processo de debates presenciais, o que trouxe dúvidas justificadas sobre a qualidade das nossas deliberações.
Compensamos essas dificuldades utilizando os mecanismos virtuais que se tornaram parte das nossas vidas e tivemos a maior participação da nossa militância em um processo congressual desde a fundação do PSOL: quase 50 mil companheiras e companheiros se deslocaram para escolher uma das teses que disputavam suas ideias. O PSOL se mostrou um partido vivo, militante, democrático e participativo.
Nesta reta final de debates, quero me dirigir a cada companheira e a cada companheiro do PSOL. Estamos concluindo a mais longa gestão da história do partido. Ao todo, serão quase quatro anos de um mandato prorrogado pela pandemia do novo coronavírus. Nesse período vivemos enormes desafios.
Mal havíamos completado dois meses desde nossa posse quando fomos impactados pelo assassinato covarde de nossa companheiro Marielle Franco e do companheiro Anderson Gomes. Uma realidade com a qual jamais imaginávamos nos deparar. Em seguida, a prisão do ex-presidente Lula nos colocou diante do dever de denunciar a perseguição que ali se expressava e que viria ser comprovada tempos depois com as revelações da “Vaza Jato”.
Ainda em 2018 construímos uma importante aliança entre o PSOL e os movimentos sociais para a disputa presidencial através da candidatura de Boulos e Sônia Guajajara. A primeira candidatura de um sem-teto e uma indígena ao Palácio do Planalto. O saldo daquela campanha foi a eleição da maior e mais representativa bancada da história do PSOL na Câmara dos Deputados, além do aprofundamento da relação entre nosso partido e os movimentos sociais.
No segundo turno das eleições presidenciais, não titubeamos em entrar de corpo e alma na campanha de Haddad e Manuela contra Bolsonaro. Aliás, apenas Boulos e o PSOL alertaram desde o início para a ameaça representada pela extrema-direita naquela eleição. Com a vitória do ex-capitão, buscamos imediatamente organizar a resistência e construir a unidade de todas as forças democráticas contra o retrocesso. A candidatura própria do PSOL na eleição à presidência da Câmara dos Deputados em 2019 e em 2021 foi parte desse movimento.
Com a pandemia do novo coronavírus fomos colocados diante de decisões difíceis. Cancelar nosso Congresso Nacional foi uma opção correta diante da tragédia que se iniciava. Mas levou à prorrogação de nossos mandatos em todo o país.
Em conjunto com a oposição, buscamos dar respostas concretas aos ataques de Bolsonaro à democracia e à saúde pública. Defendemos – de forma pioneira – o auxílio emergencial e a negociação para aquisição de vacinas. Diante do negacionismo de Bolsonaro, articulamos um amplo pedido de impeachment – assinado por sete partidos de esquerda e mais de 400 entidades -pedindo a saída do genocida.
Esse movimento correto, permitiu que o PSOL construísse pontes para as importantes vitórias eleitorais que tivemos em 2020, especialmente a eleição de Edmilson Rodrigues em Belém e a chegada ao segundo turno na maior cidade do país com Boulos e Erundina.
É claro que enfrentamos problemas e dificuldades. Dirigir um partido que cresce a cada dia não é o mesmo que fazê-lo quando éramos um pequeno partido de resistência ao projeto de conciliação de classes. Hoje temos enormes responsabilidades sobre nossos ombros, fruto da expectativa que existe sobre nós: somos o único partido capaz de crescer oferecendo um projeto de renovação da esquerda brasileira.
A incorporação das companheiras e companheiros que hoje integram a Resistência, a entradas de centenas de ativistas do MTST; a eleição de novos rostos e novos corpos; a consolidação de Boulos como o principal nome da nova geração de esquerda do país; o grande aumento no número de filiadas e filiados, superior a todos os outros partidos no último ano; a formação de uma maioria estável no PSOL; tudo isso é fruto das opções acertadas dos últimos anos. E tenho muito orgulho por ter dado, como presidente, minha parcela de contribuição nessa caminhada.
Sei que num partido como o PSOL, profundamente coletivo e democrático, o presidente não tem mais importância que qualquer outro dirigente ou militante. Ainda assim, desde o início busquei exercer a escuta, o diálogo e garantir o bom funcionamento de nossas instâncias nacionais. Afinal, suceder companheiros com a experiência de Heloísa Helena, Afrânio Boppré, Ivan Valente e Luiz Araújo não era tarefa fácil para um jovem de pouco mais de 30 anos.
Hoje, mais maduro, considero que demos passos firmes para consolidar o PSOL como porta-voz da renovação da esquerda brasileira, mantendo vivas as bandeiras do socialismo e da liberdade. O PSOL amadureceu sem perder sua rebeldia. Dei o melhor de mim nesses quase quatro anos para colaborar com essa gigantesca tarefa.
Às vésperas do 7º Congresso Nacional do PSOL, nosso partido está diante de uma encruzilhada: aprofundar o processo de crescimento com uma política de unidade contra Bolsonaro; ou retroceder ao isolamento, ao sectarismo e às tentações da “terceira via”.
Para enfrentar essa disjuntiva, me sinto honrado em aceitar o desafio apresentado pelas tendências que compõem a tese “PSOL Popular” para conduzir nosso Diretório Nacional por mais uma gestão. Seguirei dando o melhor de mim para que o PSOL se fortaleça. Disso depende o futuro da luta pelo socialismo no Brasil.
Juliano Medeiros
Presidente do PSOL".
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