Lava Jato protegeu Globo depois de acordo para cobertura favorável a Dallagnol e a Moro

Segundo o livro da jornalista do Intercept Letícia Duarte sobre a Vaza Jato, a Lava Jato blindou a Globo ao não investigar a relação da emissora com o escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, usado para lavagem de dinheiro. Em troca, a família Marinho garantiu ampla cobertura favorável à operação

Deltan Dallagnol, Sergio Moro e João Roberto Marinho
Deltan Dallagnol, Sergio Moro e João Roberto Marinho (Foto: ABr | Reuters | Marcos Oliveira/Agência Senado)
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247 - O livro do Intercept sobre a Vaza Jato, de Letícia Duarte, revela que a Operação Lava Jato blindou a Globo e não investigou a relação da emissora com o escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, muito usado para empresas offshores em esquemas de lavagem de dinheiro. Em troca, a emissora garantiu ampla cobertura à operação comandada pela dupla Moro-Dallagnol.

"O livro sobre a Vaza Jato escancara uma relação antiética entre o jornalista Wladimir Neto e os procuradores da Lava Jato, na medida em que ele presta uma espécie de consultoria informal a Deltan Dallagnol. (...) E o apoio mais importante não vinha de repórteres, mas da cúpula", escreve o jornalista Joaquim de Carvalho, no Diario do Centro do Mundo.

O nome do Mossack aparece em processos antigos que tramitam na Justiça Federal em Angra dos Reis (RJ), sem desfecho. São dois processos que tentam responsabilizar os proprietários de uma mansão construída na praia de Santa Rita, Paraty - esse inquérito investiga a violação das normas ambientais. 

Segundo denúncia do Viomundo, publicada em março de 2016, Filha de João Roberto Marinho, Paula Marinho teria feito pagamentos à Mossack & Fonseca referentes à manutenção de empresas offshore ligadas aos negócios do marido dela, Alexandre Chiappeta de Azevedo.

Em novembro de 2015, João Roberto Marinho, um dos sócios da Globo, entregou o Prêmio Faz a Diferença para Sergio Moro. Na entrega, João Roberto Marinho estava acompanhado do diretor de redação de O Globo na época, Ascânio Seleme.

Joaquim Falcão, que dirigiu a Fundação Roberto Marinho dos anos 1980 até 2000, levou para sua casa Deltan Dallagnol. A ideia seria ter um encontro com João Roberto Marinho. Dallagnol é quem relata, de acordo com o chat vazado para o Intercept e publicado em seu livro.

"Caros, esqueci de contar algo importante… Na correria, passou. Mas tem que ficar restrito. Almocei na quarta com João Roberto Marinho. É ele quem, segundo muitos, manda de fato na Globo. Responsável pela área editorial do grupo. A pessoa que mais manda na área de comunicação no país. Quem marcou foi o Joaquim Falcão", disse. 

"Para evitar repercussão negativa, foi na casa do Falcão. Falei do grupo, do trabalho e das medidas. Falei da guerra de comunicação que há no caso. Ele ouviu atentamente e deu seu apoio às 10 medidas. Vai abrir espaço de publicidade na Globo gratuitamente", acrescentou. 

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