Lava Jato sabia desde 2016, mas ignorou, acusação que levou ex-presidente da Braskem à prisão nos EUA
O Ministério Pùblico Basileiro não denunciou o ex-presidente da Braskem José Carlos Grubisich, mesmo sabendo desde 2016 que ele tinha sido delatado por caixa 2. O reconhecimento da informação poderia mudar a ação contra Odebrecht
247 - O ex-presidente da Braskem José Carlos Grubisich, que foi preso na semana passada, em Nova York, sob a acusação de ter criado caixa dois na empresa, já havia sido delatado pelo mesmo motivo para o Ministério Público Federal brasileiro, que ignorou a informação no Brasil.
A Braskem, controlada pelo grupo Odebrecht, é uma das maiores petroquímicas das Américas e tem capital aberto em Bolsa. Hoje, a Odebrecht tem 38,3% da Braskem, enquanto a Petrobras tem 36,1%. Os 25,5% restantes estão nas mãos de minoritários.
Reportagem da jornalista Bruna Narcizo na Folha de S.Paulo aponta que a acusação de que o executivo tinha sido responsável pela criação do caixa dois da companhia está no acordo de leniência da Braskem, firmado em dezembro de 2016 com o MPF.
Nos Estados Unidos, Grubisich foi denunciado pelo DoJ (Departamento de Justiça americano, na sigla em inglês) em fevereiro deste ano, mas em segredo de Justiça, e preso só na última quarta-feira (20) ao entrar no país.
Segundo advogados consultados pela reportagem, uma denúncia dessa natureza contra Grubisich no Brasil poderia levar a questionamentos sobre a ação penal que condenou, em 2016, Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo e também ex-presidente do conselho de administração da Braskem, a 19 anos de prisão.
Marcelo Odebrecht foi acusado pela Lava Jato de negociar propinas da Braskem com a Petrobras em troca de contratos - o que ele sempre negou.
Reconhecer o envolvimento de Grubisich poderia colocar em dúvida parte dos argumentos usados para a condenação do empresário e também embasar questionamentos sobre a permanência de seu caso sob o escopo da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.