Lava Jato tem software para recuperar mensagens apagadas no Telegram. Por que não usa?

Uma reportagem do jornal El País liquida com a principal linha de argumentação de Moro e Dallagnol contra as reportagens do Intercept; a Lava Jato tem software para recuperar mensagens apagadas do Telegram e de outros aplicativos; por que a Lava Jato não usa a tecnologia com os celulares dos dois?

Deltan Dallagnol e Segio Moro
Deltan Dallagnol e Segio Moro (Foto: ABr)

247 - Uma revelação espantosa do jornal El País liquida com a principal linha de argumentação de Moro e Dallagnol contra as reportagens do Intercept: a Lava Jato tem software para recuperar mensagens apagadas do Telegram e de outros aplicativos. A pergunta é imperativa: por que a Lava Jato não usa a tecnologia com os celulares dos dois?

Até agora, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol vinham afirmando que os diálogos divulgados pela Vaza Jato poderiam ter sido adulterados pelos supostosr "hackers". Sobretudo, afirmaram que não podiam provar essa eventual adulteração porque apagaram os aplicativos do Telegram de seus celulares e, consequentemente, as mensagens. O que eles não revelaram ao país é que a própria operação que Moro comandou e Dallangol ainda comanda poderia facilmente esclarecer o assunto. Mentiram por omissão. 

O jornalista Daniel Haidar entrevistou o fornecedor da ferramenta utilizada pela Polícia Federal e ele confirmou que a recuperação é possível. Não apenas isso: informou que ela tem sido utilizada com sucesso na Lava Jato.

"Tanto é possível resgatar mensagens deletadas de SMS, WhatsApp, Telegram e até de outros aplicativos que peritos da PF recuperaram várias conversas dos celulares de presos da Lava Jato. Desde o começo da megainvestigação em Curitiba, em 2014, a Superintendência da Polícia Federal no Paraná utiliza a tecnologia que executa a tarefa. Trata-se de um dispositivo eletrônico batizado de UFED (Universal Forensic Extraction Device), parecido a um microcomputador em formato de maleta, que foi vendido pela empresa israelense Cellebrite. O dispositivo, que também é oferecido como aplicativo para instalação em computadores ou notebooks, já foi vendido para outras unidades policiais do país" - escreveu Haidar.

A empresa fornecedora é a empresa israelene Cellebrite e o dispositivo eletrônico usado é o UFED (Universal Forensic Extraction Device), parecido a um microcomputador em formato de maleta. 

Veja a imagem do dispositivo reproduzida por El País:

Imagem do equipamento UFED usado pela PF para recuperar mensagens do Telegram

O UFED foi usado, por exemplo, para recuperar conversas do doleiro Alberto Youssef em um celular, como demonstra o pedido de prisão da Operação Juízo Final, que prendeu os principais sócios e executivos de empreiteiras do país em 14 de novembro de 2014, relata o jornalista Daniel Haidar. “Foram recuperadas no aparelho analisado diversas mensagens trocadas entre YOUSSEF e o Interlocutor ‘CARECA”, diz o relatório da Polícia Federal que pediu a prisão do agente Jayme Oliveira Filho, apelidado de “Careca”, um policial federal no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, que fazia bicos como entregador de propinas distribuídas por Youssef. Veja:

Relatório da PF na Lava Jato indicando recuperação de mensagens do Telegram

O UFED, na prática, consegue acessar e extrair a memória interna dos aparelhos celulares, mesmo com aplicativos deletados, e também consegue extrair, a partir do aparelho, os dados na nuvem dos aplicativos instalados. Em alguns casos, a empresa israelense diz que a ferramenta consegue até quebrar senhas de proteção de tela e códigos de restrição de acesso de aplicativos. “Via de regra, tudo pode ser recuperado, incluindo o conteúdo de mensagens. O que é relevante para recuperar informação é o tempo que foi gravada”, explicou Frederico Bonincontro, vice-presidente de vendas para a América Latina da Cellebrite, em entrevista ao El País.

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