Lavenère: nem oposição tem convicção no impeachment
Autor do pedido de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o advogado Marcello Lavenère desqualificou nesta segunda-feira, 5, os pedidos de impeachment de Dilma protocolados pela oposição na Câmara; segundo ele, nem uma eventual rejeição das contas da presidente pelo TCU é suficiente para abreviar seu mandato; "Por mais que a oposição pretenda desgastar o governo, e parece que é essa a intenção, nem mesmo eles parecem ter muita convicção de que esse processo vá adiante", afirmou; "O que acontece no nosso país atualmente é uma insatisfação de quem perdeu as eleições por pouco", afirmou
247 - O advogado Marcello Lavenère, autor do pedido de impeachment que resultou na saída de Fernando Collor da Presidência da República, desqualificou nesta segunda-feira, 5, os pedidos de impeachment de Dilma protocolados pela oposição na Câmara dos Deputados.
Segundo Lavenère, ao contrário do caso de Collor, não há evidências que justifiquem o impedimento da presidente Dilma. "Collor teve praticamente dois anos em que fez uma série de medidas altamente questionáveis e ninguém falava em afastamento. Até o momento em que o irmão dele disse que havia uma quadrilha no governo e que ele era o chefe. Havia uma acusação pública, direta, consistente, contra o presidente, o que não é o caso agora", afirmou o advogado em entrevista à Folha.
Marcello Lavenère também sustenta que a delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, que afirmou ter repassado ilegalmente recursos para o tesoureiro da campanha de 2010 da presidente, não tem consistência para embasar um pedido de impeachment. "Ele diz que o tesoureiro da campanha recebeu dinheiro e não a Dilma, ao passo que o irmão do presidente Collor dizia que ele era o chefe de uma quadrilha. As acusações contra Collor foram de fatos ocorridos durante a gestão dele. Ninguém discutiu o que havia antes. Já no caso dela, ao que se sabe, as acusações são de que na campanha teria havido isso e que ela teria feito pedalada fiscal. É o que consta no pedido dos senhores Helio Bicudo e Miguel Reale", afirma.
Para o advogado, ter uma 'base parlamentar fraca" não é motivo para impeachment. "Nem contas rejeitadas pelo TCU. Não está previsto na Constituição, assim como as contas da campanha rejeitadas. O processo de impeachment é um processo penal constitucional, não é político de oposição. Aplica uma pena e só pode ser aprovado se provar que o acusado cometeu algum dos crimes que estão previstos na Constituição. Por mais que a oposição pretenda desgastar o governo, e parece que é essa a intenção, nem mesmo eles parecem ter muita convicção de que esse processo vá adiante".
E arremata: "Não tenho nenhuma vinculação política nem nada, mas vejo que o que acontece no nosso país atualmente é uma insatisfação de quem perdeu as eleições por pouco."
Leia na íntegra a entrevista de Marcello Lavenère.