Lessa dá nota 5 ou 6 para Dilma

Ex-presidente do BNDES no governo Lula também foi professor da presidente na Unicamp na disciplina de economia brasileira; para ele, Dilma tem ideia boas, mas não tem coragem para colocá-las em prática

Lessa dá nota 5 ou 6 para Dilma
Lessa dá nota 5 ou 6 para Dilma
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247 – Se ainda fosse professor de Dilma Rousseff na Unicamp, na disciplina de economia brasileira, Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa, deixaria a presidente de recuperação. Em entrevista à Folha, o também ex-presidente do BNDES no governo Lula dá nota 9 para o discurso da presidente, mas 5 ou 6 para a sua prática. "Ela tem boas ideias, porém não tem coragem de pô-las em prática", diz.

Leia alguns trechos da entrevista de Carlos Lessa:

Modelo brasileiro

Na minha visão, o Brasil continua apostando na globalização, apesar da crise mundial dessa globalização.

Baixo crescimento

A desnacionalização explica muitas coisas. E o setor público não investe com clareza para apontar para onde o Brasil irá. O setor público continua prisioneiro do "Consenso de Washington". Continua usando o modelo de metas da inflação, apesar de os europeus já estarem abandonando esse modelo. O Brasil continua fazendo uma política que prioritariamente é de estabilização, não de desenvolvimento. Mas faz um discurso a favor do desenvolvimento.

Dilma desenvolvimentista

Ela diz que é necessário abaixar a taxa de juros. Concordo integralmente. Então é preciso fazer uma política consistente para baixar para valer. Teria que mexer na taxa de juros do BC, na dívida púbica, tornar cada vez mais difícil essa corrida em cima dos títulos de dívida pública.

Petrobras

Vejo a Petrobras vendendo refinarias no exterior, dizendo que está perdendo dinheiro com gasolina, com gás de cozinha. Isso faz os empresários brasileiros duvidarem de que a Petrobras tocará para a frente o seu programa. Aí, se a Petrobras não vai, serei eu, dono da lanchonete da esquina, que vou apostar no crescimento brasileiro?

Energia

O Brasil vinha construindo uma estrutura energética que era a melhor do planeta, que quase não dependia de petróleo, carvão, gás.

Veio uma coisa surrealista: foi reduzido espetacularmente o peso da energia elétrica dentro da matriz. Começa com Collor, avança com Fernando Henrique e é absolutamente confirmada nos governos Lula e Dilma.

Minérios

 

Os chineses não são bobos e vão desenvolver sua própria Vale na África. Por mais algum tempo, a Vale irá muito bem, mas, a longo prazo, ela irá mal enquanto exportadora de minério de ferro. Se desaparecer a conexão importante com a China, o Brasil vai ficar num mato sem cachorro.

 

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