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Líder do PT vê “redenção econômica” do Acre

Deputado Sibá Machado (PT-AC) detalha, em entrevista ao 247, os acordos feitos com a Bolívia para a construção de uma usina hidrelétrica binacional no lado boliviano do Rio Madeira, o lançamento, no Acre, de um empreendimento "de altíssimo impacto e retorno" na produção de peixes, que nesse mês recebeu a visita do ex-presidente Lula e do presidente da Bolívia, Evo Morales, e ainda outros benefícios como a ferrovia que chegará até o Peru, passando pelo Estado, e será financiada pelos chineses, além de um call center, que deverá empregar seis mil pessoas em três anos; "O Acre é um estado que vai depender bem menos, muito pouco do governo federal. Começamos 2015 com uma nova cara", comenta

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Deputado Sibá Machado (PT-AC) detalha, em entrevista ao 247, os acordos feitos com a Bolívia para a construção de uma usina hidrelétrica binacional no lado boliviano do Rio Madeira, o lançamento, no Acre, de um empreendimento "de altíssimo impacto e retorno" na produção de peixes, que nesse mês recebeu a visita do ex-presidente Lula e do presidente da Bolívia, Evo Morales, e ainda outros benefícios como a ferrovia que chegará até o Peru, passando pelo Estado, e será financiada pelos chineses, além de um call center, que deverá empregar seis mil pessoas em três anos; "O Acre é um estado que vai depender bem menos, muito pouco do governo federal. Começamos 2015 com uma nova cara", comenta (Foto: Gisele Federicce)
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Gisele Federicce, 247 – De cada dez reais de arrecadação no Acre, oito são em repasses feitos pelo governo federal. A situação, porém, deve mudar nos próximos anos. O líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado (AC), acredita que entre cinco e dez anos essa proporção será de meio a meio.

Nascido no Piauí, o deputado fez carreira política no Acre, Estado no qual aponta, nesta entrevista, uma "redenção da economia", depois de acordos feitos com a Bolívia, a modernização na produção de peixes e ainda a instalação de um call center na capital, Rio Branco, expectativa de muitos jovens no local. A empresa Contax pretende contratar até seis mil funcionários em um período de três anos.

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"A nossa avaliação é de que o Acre vai depender bem menos, muito pouco do governo federal entre cinco e dez anos", prevê o parlamentar, que começa a lista de avanços na região com o "pontapé inicial dado por Brasil e Bolívia, agora em maio, para a construção de uma usina hidrelétrica binacional".

A obra ficará no lado boliviano do Rio Madeira, com uma potência total de mais de 4 mil mw. O "norte da conversa", segundo ele, deverá ser o modelo de Itaipu, que o Brasil mantém com o Paraguai. "Essa negociação já existe há alguns anos, desde o final do governo Lula, mas foi suspensa por crise na diplomacia", disse Sibá. "Agora foi a retomada do diálogo", comemora. O tema foi tratado durante encontro entre o petista e os governadores dos departamentos bolivianos de Beni e Pando no final de maio.

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Na reunião, foi discutida também a construção de eclusas no Rio Madeira, para permitir a navegabilidade da Bolívia até o Rio Amazonas, algo que não interferiria no funcionamento da hidrelétrica durante todo o ano. E ainda um acordo no setor de portos, para que a Bolívia possa armazenar mercadorias em Paranaguá, no Paraná, o que causou polêmica no Congresso. Nessa semana, o PSDB e o DEM tentaram retirar o texto de pauta na Câmara, sem sucesso.

Vice-líder do DEM, o deputado Pauderney Avelino (AM) disse que o acordo foi assinado na década de 90, quando a Bolívia tinha outra orientação de governo. "Esse governo bolivariano não merece a confiança dos brasileiros, e a Bolívia já tem um depósito franco no porto de Santos", argumentou. Pauderney afirmou que há receio de que o depósito seja usado para armazenar drogas.

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Referência na produção de peixes

Mas os acordos não se limitam à energia e ao transporte. O Acre é um dos maiores produtores de peixe do mundo e, com investimentos recentes do governo, tem consolidado a psicultura como uma das principais cadeias produtivas do Estado.

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Um projeto importantíssimo nessa área – "empreendimento de altíssimo impacto e retorno", nas palavras de Sibá Machado –, o Frigorífico de Processamento de Peixes, no Complexo de Piscicultura Peixes da Amazônia, viabiliza a venda do produto para outros estados. Apenas em sua fase de teste, já comercializou mais de 15 toneladas de pescados para os supermercados locais. O objetivo é alcançar também o mercado internacional, em especial os países andinos.

No início do mês, o local recebeu a visita do ex-presidente Lula e do presidente da Bolívia, Evo Morales, que pretende incorporar a experiência no país vizinho. Parte do complexo, a fábrica de ração já abastece todo o mercado interno e exporta para outros centros do Brasil, sendo referência nacional na produção de ração para peixes carnívoros. "O Acre calcula poder faturar R$ 1 bilhão de faturamento/ano com este empreendimento. Aí o Evo gostou demais e quer três na Bolívia", conta o deputado.

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"O Acre está com fábrica de ração, exporta ração de peixe para o resto do país... um complexo produtivo desse aponta a redenção da economia do Estado e é um sistema que pode ser implantado em qualquer região carente", informa o líder do PT. Segundo ele, o governador Tião Viana, do Acre, está levando a proposta para o Piauí e governadores e parlamentares de vários outros estados, como Maranhão e São Paulo, no Vale do Ribeira, também têm interesse.

Além do complexo, outra tecnologia promete impulsionar ainda mais a produção de peixes no Estado: nos lagos das hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio. "Aquela região pode ser a maior produtora de peixes do mundo", prevê Sibá, que acrescenta que, em termos de tecnologia, o Acre só perde para Israel e Vietnã. "Em produção precisa crescer um pouco mais", complementa.

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Ferrovia Transoceânica

Chamada pelo deputado de "sonho de 20 anos atrás", a Ferrovia Transoceânica é outra grande expectativa dos acreanos. Ela receberá o investimento dos chineses, conforme anunciado em visita recente do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, ao Brasil. "Não achávamos que estava tão perto de acontecer", comentou o parlamentar.

"Havia o sonho de 20 anos atrás, de passar uma ferrovia pelo litoral brasileiro aos portos do Peru. Eu estive lá, mas não achava quem investir. Agora os chineses dizem que querem investir na rodovia que vai passar por Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Acre... já existia uma rodovia Rio Branco-Lima, mas agora, além da rodovia, teremos a ferrovia e a hidrovia. São três formas de acesso", detalha.

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