Lideranças do Xingu repudiam representação indígena na delegação de Bolsonaro na ONU

Carta foi divulgada por representante dos 16 povos do território xinguano. A indígena Ysani Kalapalo, que vai acompanhar a delegação brasileira a Nova York, é defensora do discurso do governo de que fake news distorcem informações sobre as queimadas na Amazônia

(Foto: Reprodução)

Muvuca Popular - As principais representantes dos 16 povos indígenas do território indígena do Xingu emitiram carta de repúdio contra a inclusão da indígena Ysani Kalapalo na delegação oficial do Brasil que participará da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) no próximo dia 23, em Nova Iorque.

A carta é assinada por caciques dos povos xinguanos Aweti, Matipu, Mehinako, Kamaiurá, Kuikuro, Kisedje, Ikpeng, Yudjá, Kawaiweté, Kalapalo, Narovuto, Waurá, Yawalapiti, Trumai, Nafukuá e Tapayuna.

“Viemos diante da sociedade brasileira repudiar a intenção do Governo Brasileiro de incluir a indígena. O governo brasileiro mais uma vez demonstra com essa atitude o desrespeito com os povos e lideranças indígenas renomados do Xingu e outras lideranças a nível nacional, desrespeitando a autonomia própria das organizações dos povos indígenas de decisão e indicação de seus representantes em eventos nacionais e internacionais”, afirma o documento.

Segundo a carta, “o governo brasileiro ofende as lideranças indígenas do Xingu e do Brasil ao dar destaque a uma indígena que vem atuando constantemente em redes sociais com objetivo único de ofender e desmoralizar as lideranças e o movimento indígena do Brasil”.

Os 16 povos indígenas do Território Indígena do Xingu, acrescenta a carta, “através de seus caciques reafirmam seu direito de autonomia de decisão através de seu próprio sistema de governança composto por todos os principais caciques dos povos xinguanos”.

“O governo brasileiro não se contentando com os ataques aos povos indígenas do Brasil, agora quer legitimar sua política anti-indígena usando uma figura indígena simpatizante de suas ideologias radicais com a intenção de convencer a comunidade internacional de sua política colonialista e etnocida”, acrescenta.

Finaliza o documento: “Não aceitamos e nunca aceitaremos que o governo brasileiro indique por conta própria nossa representação indígena sem nos consultar através de nossas organizações e lideranças reconhecidos e respaldados por nós”.

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