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Lobista celebrou vitória em licitação para a Intervenção do RJ um dia antes da disputa

Fernando Baiano e empresário já sabiam que venceriam concorrência para fornecer coletes à prova de balas, resultando em suspeitas de corrupção e sobrepreço de R$ 4,6 milhões

Em 2017, Fantástico filmou Fernando Baiano de tornozeleira malhando em casa e recebendo visitas (Foto: Reprodução/TV Globo)

247 — Fernando Baiano, conhecido lobista envolvido em casos de corrupção, foi alvo de um dos 16 mandados de busca e apreensão realizados na terça-feira (12). As investigações apontam que Baiano e o empresário Glaucio Octaviano Guerra tinham conhecimento prévio da vitória na licitação para o fornecimento de coletes à prova de balas à Polícia Civil, contratados pelo Gabinete de Intervenção Federal (GIF), revelou o g1. Uma mensagem de Glaucio para Baiano, datada de 13 de dezembro de 2018, revelou que eles já sabiam que ganhariam a concorrência, um dia antes do processo oficial. A revelação desencadeou suspeitas de corrupção e sobrepreço de R$ 4,6 milhões.

A comunicação entre Glaucio Guerra e Fernando Baiano ocorreu um dia antes da reunião em que os concorrentes apresentariam seus documentos de habilitação para participar da disputa. A mensagem celebrava a escolha da empresa americana CTU Security LLC como vencedora da licitação, mas esse acordo foi posteriormente cancelado, e o valor estornado. A juíza Caroline Figueiredo, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, enfatizou que a suspensão do contrato não absolve os supostos crimes até então cometidos, que incluem advocacia administrativa ilegal, dispensa ilegal de licitação e corrupção. A decisão judicial apenas evitou prejuízos maiores ao governo brasileiro.

Fernando Baiano, durante a Lava Jato, foi preso durante a operação Juízo Final em novembro de 2014. Ele foi apontado como elo do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no suposto recebimento de uma propina de US$ 10 milhões, dos quais US$ 5 milhões teriam sido destinados ao deputado, conforme o delator Julio Camargo. Após sua prisão, Baiano fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, que lhe permitiu cumprir pena com tornozeleira eletrônica em uma mansão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A mansão, onde ele recebia visitas variadas e fazia exercícios físicos na garagem, foi alvo da operação de busca desta terça-feira.

Nas atuais investigações da polícia, Fernando Baiano é suspeito de atuar como investidor, contribuindo com o dinheiro necessário para garantir o investimento na produção dos coletes à prova de balas. A defesa de Fernando Baiano ainda não se pronunciou sobre o caso.