Luis Felipe Miguel: aposta de Temer aponta sua aposta na direção do aprofundamento do golpe

"Ainda não há muita clareza quanto ao objetivo de Temer com a intervenção no Rio. O que está bem estabelecido, até agora, é que ela é inconstitucional, já de partida por não ter cumprido o rito da consulta ao Conselho da República", diz o cientista político Luis Felipe Miguel; "De qualquer jeito, sua aposta, mesmo que confusa, aponta na direção do aprofundamento do golpe"

"Ainda não há muita clareza quanto ao objetivo de Temer com a intervenção no Rio. O que está bem estabelecido, até agora, é que ela é inconstitucional, já de partida por não ter cumprido o rito da consulta ao Conselho da República", diz o cientista político Luis Felipe Miguel; "De qualquer jeito, sua aposta, mesmo que confusa, aponta na direção do aprofundamento do golpe"
"Ainda não há muita clareza quanto ao objetivo de Temer com a intervenção no Rio. O que está bem estabelecido, até agora, é que ela é inconstitucional, já de partida por não ter cumprido o rito da consulta ao Conselho da República", diz o cientista político Luis Felipe Miguel; "De qualquer jeito, sua aposta, mesmo que confusa, aponta na direção do aprofundamento do golpe" (Foto: Leonardo Lucena)

Por Luís Felipe Miguel, em seu Facebook

Ainda não há muita clareza quanto ao objetivo de Temer com a intervenção no Rio. O que está bem estabelecido, até agora, é que ela é inconstitucional, já de partida por não ter cumprido o rito da consulta ao Conselho da República. Também restam poucas dúvidas de que ela não cumprirá seu objetivo declarado de pôr fim ao estado caótico da segurança pública no Estado. Dos principais especialistas no assunto ao jornal popular Meia Hora de Notícias, em sua histórica capa de hoje, há consenso de que colocar tropa para combater crime organizado não é solução.

Mas o que quer Temer? Talvez ele mesmo não saiba ao certo. Às vezes, quando o jogo parece perdido, o jeito é embaralhar as peças meio às cegas para ver o que sai. De qualquer jeito, sua aposta, mesmo que confusa, aponta na direção do aprofundamento do golpe. No momento em que a insatisfação popular com seu governo se torna mais vocal, o chamamento às forças armadas serve tanto para reaproximar as franjas mais conservadoras da classe média, sempre prontas a bradar por "lei e ordem", quanto para intimidar os grupos que eventualmente pudessem se engajar em ações mais organizadas de resistência.

Temer pode estar num de seus momentos delirantes, pensando que, com a dificuldade da direita encontrar um nome, ele pode se impor como sucessor de si mesmo. A intervenção seria uma demonstração de "firmeza", no momento em que está perceptível que ele não conseguirá forçar a aprovação da reforma da Previdência.

Ou Temer pode estar pavimentando o caminho para uma nova virada de mesa, menos ou mais maquiada, que implique o fechamento ainda maior do regime. É significativo o timing: no momento em que os escândalos chamuscam os juízes, os militares são chamados a salvar a pátria.

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