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Lula diz que assessor de Trump só entra no Brasil se Padilha entrar nos EUA

Presidente afirma que proibiu entrada de aliado de Trump até liberação de vistos do ministro da Saúde e cita cancelamento de documentos da família dele

13.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita e inauguração do Centro de Trauma do Hospital Federal do Andaraí, na Rua Leopoldo. Rio de Janeiro - RJ. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta sexta-feira (13) que o assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, só poderá entrar no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tiver autorização para ingressar no território norte-americano. A declaração foi feita durante agenda oficial no Rio de Janeiro. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil.

Segundo Lula, a decisão foi tomada em resposta às restrições impostas pelos Estados Unidos ao ministro e à família dele. O presidente afirmou ter barrado a entrada do assessor norte-americano no país até que a situação seja resolvida.

“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, para visitar Jair Bolsonaro, foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que estão bloqueados”, declarou o presidente.

Lula também recordou que, no ano passado, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Padilha. Na ocasião, o documento do próprio ministro estava vencido e, por isso, não poderia ser alvo de cancelamento. Ao comentar o episódio, o presidente afirmou: “Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”.

A discussão ocorre em meio à tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro de receber a visita do assessor norte-americano Darren Beattie. O encontro, no entanto, foi barrado pelo Supremo Tribunal Federal.

Na quinta-feira (14), o ministro do STF Alexandre de Moraes rejeitou o pedido apresentado pela defesa de Bolsonaro para autorizar a visita. Na decisão, Moraes afirmou que a agenda do assessor não foi comunicada à diplomacia brasileira e não fazia parte do programa oficial previsto para a passagem dele pelo país.

Também na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhou um ofício ao magistrado alertando para a possibilidade de a visita ser interpretada como interferência em assuntos internos do Brasil.

No documento, o chanceler afirmou que a reunião poderia ter implicações políticas, sobretudo por ocorrer em um ano eleitoral. “A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, escreveu Vieira.

O pedido para receber Beattie havia sido protocolado por Bolsonaro no Supremo na última terça-feira (10). Na solicitação, a defesa do ex-presidente sugeriu que o encontro ocorresse na manhã de segunda-feira (16) ou na terça-feira (17), período em que o assessor estaria em visita oficial ao Brasil.

Os advogados também solicitaram autorização para que um tradutor acompanhasse a reunião. O pedido, contudo, foi rejeitado pelo Supremo após a avaliação de que a visita não fazia parte da agenda diplomática oficial do representante norte-americano.