HOME > Brasil

Lula se reúne com presidente do Sri Lanka em Nova Déli

Encontro bilateral abordou cenários econômicos, comércio de US$ 188 milhões em 2025 e cooperação em turismo, agricultura e comércio

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião Bilateral com Presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake. Nova Déli - Índia. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve um encontro bilateral com o presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake, na tarde desta quinta-feira (19), em Nova Déli. A informação foi divulgada em nota oficial à imprensa.

Durante a reunião, os dois chefes de Estado discutiram os cenários econômicos de seus respectivos países e analisaram o estágio atual das relações comerciais. Segundo a nota, o comércio bilateral somou 188 milhões de dólares em 2025, resultado que permanece abaixo do recorde histórico de 210 milhões de dólares alcançado em 2016.

Ao avaliar os números, os presidentes reconheceram o potencial de ampliação das trocas e a necessidade de fortalecer a parceria econômica. O diálogo incluiu perspectivas para diversificação da pauta comercial e maior aproximação institucional entre os dois países.

Como encaminhamento, Lula e Dissanayake comprometeram-se a orientar suas chancelarias a elaborar, de forma conjunta, uma pauta abrangente de cooperação. O plano deverá contemplar áreas consideradas estratégicas por ambos os governos, como turismo, agricultura e comércio.

Ao fim do encontro, o presidente brasileiro convidou oficialmente o líder do Sri Lanka a realizar visita ao Brasil, em data a ser definida posteriormente pelos canais diplomáticos. A agenda futura deverá consolidar os temas discutidos em Nova Délhi e aprofundar a cooperação bilateral entre os dois países.

Lula defende governança global da IA

Ao discursar nesta quinta-feira (19/20), em Nova Déli, na Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da inteligência artificial seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, afirmou Lula.

O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as pessoas.

"Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa urgente. O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo”, afirmou.

Lula ainda alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, ressaltou.

“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”, prosseguiu o presidente.

“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, frisou Lula.