Marcelo Neri: 'Crise favorece neopentecostais'

O economista Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o primeiro governo Dilma Rousseff e atual diretor da FGV Social, lidera uma pesquisa que avalia se a recessão recente afetou a relação entre os brasileiros e a religião; "A própria infraestrutura das igrejas pentecostais é uma oportunidade de trabalho para quem está desempregado. Essas novas denominações funcionam um pouco como uma franquia: um fiel ou uma fiel pode abrir um templo na garagem de casa, junta algo para a comunidade com algo de que você precisa, uma ocupação", avalia o pesquisador

O economista Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o primeiro governo Dilma Rousseff e atual diretor da FGV Social, lidera uma pesquisa que avalia se a recessão recente afetou a relação entre os brasileiros e a religião; "A própria infraestrutura das igrejas pentecostais é uma oportunidade de trabalho para quem está desempregado. Essas novas denominações funcionam um pouco como uma franquia: um fiel ou uma fiel pode abrir um templo na garagem de casa, junta algo para a comunidade com algo de que você precisa, uma ocupação", avalia o pesquisador
O economista Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o primeiro governo Dilma Rousseff e atual diretor da FGV Social, lidera uma pesquisa que avalia se a recessão recente afetou a relação entre os brasileiros e a religião; "A própria infraestrutura das igrejas pentecostais é uma oportunidade de trabalho para quem está desempregado. Essas novas denominações funcionam um pouco como uma franquia: um fiel ou uma fiel pode abrir um templo na garagem de casa, junta algo para a comunidade com algo de que você precisa, uma ocupação", avalia o pesquisador (Foto: Aquiles Lins)

247 - O economista Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o primeiro governo Dilma Rousseff e atual diretor da FGV Social, lidera uma pesquisa que avalia se a recessão recente afetou a relação entre os brasileiros e a religião.

"Uma coisa que podemos afirmar é que há uma tendência muito forte de queda do catolicismo. É um movimento que já tem algumas décadas, claro, mas, adotando uma visão histórica, não deixa de ser recente. No Censo Demográfico de 1950, 95% ainda afirmavam ser católicos. A queda mais acentuada começou depois dos anos 1980, chegando a 64% no último Censo, em 2010. Resta saber se esses dois terços são um piso ou se a queda vai prosseguir", diz Neri, em entrevista ao jornal O Globo.

Em 2009, Neri coordenou na Fundação Getulio Vargas (FGV) o "Novo mapa das religiões", pesquisa que virou referência. O estudo em andamento, que deve oferecer pistas sobre o sincretismo e a mobilidade religiosa dos brasileiros, só fica pronto em meados de 2018.

"A própria infraestrutura das igrejas pentecostais é uma oportunidade de trabalho para quem está desempregado. Ser padre não compensa nesse sentido: é uma posição vetada às mulheres, você demora sete anos para se ordenar, você não acumula patrimônio. Enquanto isso, essas novas denominações funcionam um pouco como uma franquia: um fiel ou uma fiel pode abrir um templo na garagem de casa, junta algo para a comunidade com algo de que você precisa, uma ocupação", avalia o pesquisador.

Segundo Marcelo Neri, a religião no Brasil possui características únicas, é uma variável importante sobre a subjetividade brasileira. "Observar e detalhar a sua evolução é acompanhar a própria transformação da sociedade brasileira ao longo das décadas. Além disso, ela define nossa presença no resto do mundo. Eu tive a oportunidade de vivenciar isso na Nicarágua, Índia, África do Sul. Se você chegar nesses países com insônia, ainda se adaptando ao fuso horário, e ligar a TV no meio da noite, fatalmente vai se deparar com um pastor brasileiro ou uma igreja nacional, em programas como os que temos aqui. É um genuíno produto de exportação", afirma. 

Leia a entrevista na íntegra.

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