Marcos Coimbra: praticamente todas as candidaturas bolsonaristas estão derretendo

“No Brasil como um todo, o número de pessoas interessadas em votar nos candidatos de Bolsonaro é menor que 30%”, avalia o sociólogo Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi. Pesquisas da última semana confirmam projeções de Coimbra. Assista entrevista dele à TV 247

(Foto: Divulgação)
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247 - O sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, analisou, em participação no programa Giro das 11, a situação dos candidatos apoiados direta ou indiretamente por Jair Bolsonaro, que disputam o pleito eleitoral de 2020. Ele afirma que as candidaturas identificadas com Bolsonaro "estão derretendo". As pesquisas da última semana confirmam as projeções de Coimbra. Segmentos da imprensa conservadora, que apostavam numa vitória bolsonarista nas eleições, começaram a aderir à visão de Marcos Coimbra (leia no final).

Ele observa que “os candidatos não estão mal porque começaram tarde a campanha, ou porque Bolsonaro não tem partido, mas simplesmente porque as pessoas não querem votar em nomes ligados ao bolsonarismo”.

‘Trinta por cento querem, outros 70% dos eleitores não. Como que se ganha eleições se 70% não votam em você?’, questionou.

Coimbra citou como exemplo de desempenho as duas maiores cidades do Brasil. O candidato à reeleição no Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), em terceiro lugar nas pesquisas, tem chances cada vez mais remotas de ir ao segundo turno. Já em São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) caiu 7% nas últimas semanas.

‘No Rio, Crivella imita Russomanno. Agarram-se com todas as suas forças a Bolsonaro. Chega a beirar o ridículo’, critica.

Segundo o sociólogo, “a eleição para Bolsonaro será ruim, mas se não fosse a pandemia seria ainda pior, pois estamos em um cenário muito relativizado”.

Ele considera que a criação do auxílio emergencial freou uma conjuntura ainda mais drástica para Bolsonaro. “Ocorreu uma imensa transferência de recurso para a maioria mais vulnerável da população”, explica.

“Nós sabemos que esse programa nunca foi da intenção de Bolsonaro, mas foram forçados por conta da pressão política e social. Isso refletiu positivamente em sua popularidade”, acrescentou.  

O sociólogo concluiu sua fala dizendo que “Bolsonaro cresceu 9 pontos percentuais em sua popularidade às custas de R$ 400 bilhões concedidos ao auxílio emergencial” e que “se ele fosse um cara mais respeitável e gostável, esse número seria muito maior”. 

Folha de S.Paulo adere à visão de Coimbra

O jornal conservador Folha de S.Paulo, que vinha apostando até agora na vitória de candidatos de direita apoiados por Bolsonaro nas capitais, mudou sua aposta neste sábado (31).

Leia trechos do artigo publicado pelos jornalistas Gustavo Uribe, Ranier Bragon e Daniel Carvalho:

"O principal receio que levou Bolsonaro a hesitar em apoiar candidaturas às eleições municipais deste ano, o de ligar o seu nome a fracassos eleitorais, corre o risco de se tornar realidade, mostram as mais recentes pesquisas.

Em um primeiro momento resistente a entrar na disputa no primeiro turno, o presidente cedeu à pressão de aliados e anunciou apoios. Os nomes escolhidos por ele, no entanto, assim como outros que, mesmo sem o apoio, tentam colar suas imagens à de Bolsonaro, enfrentam adversidades eleitorais.

Nomes que encampam um discurso antipolítica, vários deles alinhados a Bolsonaro, têm amargado as últimas colocações em pesquisas do Datafolha e do Ibope, a maior parte delas lideradas por nomes já conhecidos do mundo político."

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