Marina Silva decide ficar na Rede e mira vaga ao Senado
Ex-ministra confirma permanência no partido e é cotada para disputar o Senado por São Paulo em meio a impasse na base aliada sobre composição da chapa
247 - A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva decidiu permanecer na Rede Sustentabilidade, legenda que ajudou a fundar, e pela qual pretende disputar as eleições deste ano. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, que revelou também a preferência da federação formada com o PSOL para que ela concorra a uma vaga no Senado por São Paulo.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (3), último dia da janela partidária, após reunião com integrantes da federação PSOL-Rede. O movimento ocorre em meio a uma disputa interna na sigla, envolvendo a ala ligada à deputada federal Heloísa Helena (RJ), atual dirigente do partido. Apesar de ter recebido convites de outras legendas, como PT, PV, PSOL e PSB, Marina já indicava a possibilidade de permanecer na Rede.
Durante o encontro, os partidos da federação manifestaram preferência por lançar Marina ao Senado ao lado de Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, na chapa que deve ter Fernando Haddad (PT) como candidato ao Governo de São Paulo.
O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, afirmou à reportagem: "[Marina Silva] É o nome que defenderemos [ao Senado] junto aos demais partidos]".
Apesar da sinalização, a definição sobre os dois nomes que disputarão as vagas ao Senado pela chapa ainda enfrenta impasses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já manifestou preferência por Marina e Tebet, mas o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), também deixou o governo com o objetivo de concorrer ao cargo.
Como Tebet e França pertencem ao mesmo partido, a composição da chapa se tornou mais complexa. A estratégia do grupo liderado pelo PT é distribuir as candidaturas majoritárias entre diferentes siglas, garantindo maior equilíbrio político na aliança estadual. No entanto, há receio de que França mantenha sua candidatura mesmo sem o apoio formal do partido.
Diante das incertezas, dirigentes da Rede e do PSOL defendem que Marina esteja no palanque paulista de qualquer forma. Por isso, embora não seja a opção preferencial, não está descartada a possibilidade de que ela dispute novamente uma vaga na Câmara dos Deputados, como ocorreu em 2022, quando foi eleita com 237,5 mil votos.
Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente na última quarta-feira (1º), após uma gestão marcada por avanços e desafios. Entre os resultados positivos, estão a redução dos índices de desmatamento na Amazônia e o fortalecimento das políticas de combate a crimes ambientais. Por outro lado, sua passagem pela pasta também foi marcada por reveses, como a autorização para a busca de petróleo na bacia da Foz do Amazonas e a aprovação de medidas que flexibilizam regras de proteção ambiental, conhecidas como "pacote da destruição".