Mello Franco: Bolsonaro age como candidato e insiste na agressividade e divisão
O jornalista Bernardo Mello Franco afirma que o novo presidente da República permanece com seu tom colérico; "Com a faixa no peito, o novo presidente voltou a se pintar para a guerra. Bradou contra o fantasma do socialismo e descreveu seus rivais políticos como inimigos da pátria, da ordem e da família", aponta; "Faltou pouco para repetir as ameaças de 'fuzilar a petralhada' e mandar os adversários para a 'ponta da praia'"; o jornalista ainda comenta sobre o tom de segregação que Bolsonaro usou no discurso; "Num momento que pedia distensionamento, Bolsonaro insistiu na tática da divisão. Confundiu o parlatório, onde presidentes falam à nação, com o palanque, onde candidatos atiçam seus seguidores"
247 - O jornalista Bernardo Mello Franco avalia, em artigo, que o novo presidente da República permanece com seu tom colérico. "O discursar no Congresso, Jair Bolsonaro falou em 'unir o povo', 'preservar nossa democracia' e governar 'sem discriminação ou divisão'. A promessa de moderação durou pouco. Duas horas depois, ele já retomava o tom agressivo que marcou a sua escalada até o Planalto", expõe.
"Com a faixa no peito, o novo presidente voltou a se pintar para a guerra. Bradou contra o fantasma do socialismo e descreveu seus rivais políticos como inimigos da pátria, da ordem e da família. Em seguida, prometeu 'acabar com a ideologia que defende bandidos', sugerindo que fará vista grossa para a violência policial".
Bernardo destaca a afirmação do presidente em recorrer às armas para impedir que a esquerda volte a disputar o poder. “Essa é a nossa bandeira, que jamais será vermelha. Só será vermelha se for preciso o nosso sangue para mantê-la verde e amarela, radicalizou. Faltou pouco para repetir as ameaças de "fuzilar a petralhada' e mandar os adversários para a 'ponta da praia'.
"Num momento que pedia distensionamento, Bolsonaro insistiu na tática da divisão. Confundiu o parlatório, onde presidentes falam à nação, com o palanque, onde candidatos atiçam seus seguidores. Adotou um tom eficiente para manter a tropa mobilizada, mas impróprio para quem terá que governar para todos os brasileiros".
Ele aponta: "O discurso bélico sugere que a promessa de costurar um “pacto nacional”, recitada no Congresso, não passou de um palavrório sem substância. Só pode falar em pacto quem está disposto a negociar. E só pode negociar quem está disposto a fazer concessões.
Neste ponto, Bernardo diz que "Bolsonaro parece ter companhia". "Ao boicotar a cerimônia de posse, o PT reforçou os rótulos de intransigente e mau perdedor. O partido tem motivos para não gostar do novo presidente, mas precisa reconhecer que ele chegou lá porque recebeu mais votos", conclui.