Mercadante sobre Weintraub: vamos ter arrocho fiscal no MEC

O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante criticou a equipe do novo ministro Abraham Weintraub, em entrevista à TV 247; "não tem nenhum educador, não tem ninguém das universidades públicas, ninguém da educação", disse; assista

Mercadante sobre Weintraub: vamos ter arrocho fiscal no MEC
Mercadante sobre Weintraub: vamos ter arrocho fiscal no MEC

247 - O economista e ex-ministro da Educação no governo Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante, afirmou ter grandes preocupações com a chegada do novo ministro Abraham Weintraub e sua equipe “financista” que substitui Ricardo Vélez.

Para ele, o que Weintraub implantará será uma política de arrocho fiscal no Ministério da Educação (MEC). O que nós vamos ter no MEC é a implantação da política do arrocho fiscal, e o MEC tem que defender os recursos para educação. Quando o ministro diz, ‘o país gasta como país rico e tem resultado de país pobre’ ele não está falando a verdade e ele não estudou o problema da educação. É verdade que 6% do PIB está um pouco acima dos países ricos da OCDE, mas quando você olha para o investimento por aluno, que é o que vale, a média da OCDE é aproximadamente R$ 40 mil e no Brasil R$ 20 mil. Ou seja, na média o Brasil investe metade do que investem os países mais ricos do mundo, os países da OCDE. Dobre o orçamento da educação e nós vamos ter o orçamento médio da OCDE,aí nós vamos ter um resultado semelhante”.

Mercadante ressaltou que a equipe do novo ministro tem um perfil que prioriza a economia e as finanças. “Eu espero que ele não venha com essa visão do Estado mínimo e do desmonte da educação pública brasileira. Várias vezes eles já falaram isso ao longo da história, o perfil da equipe preocupa. Não que o seu economista, um administrador formado em finanças ou comércio seja impeditivo de estar em uma equipe, mas não tem nenhum educador, não tem ninguém das universidades públicas, ninguém da educação. É um perfil completamente estranho para história do MEC, totalmente subordinado a essa visão financeira da economia e o que me preocupa é que venham para o arrocho fiscal severo. Nós podemos ter vários tesoureiros no MEC mas não necessariamente a política educacional e pedagógica, que é o fundamental na alma do MEC”.

O ex-ministro Aloizio Mercadante revela preocupação com a possível transformação da educação brasileira em mercadoria. “Eu vejo com muita preocupação essa visão de mercado, que a educação é uma mercadoria, essa visão financista com uma equipe predominantemente voltada para as finanças e não para a educação como um valor de formação”.

Igualmente sua equipe, o ministro abraham Weintraub fez sua vida pelo mercado financeiro e nunca ocupou um cargo de gestão na educação, o que preocupa Mercadante. “A vida dele foi feita no mercado financeiro e, na universidade, ele nunca teve uma função de gestão. Ele teve uma atividade especificamente docente, uma vida acadêmica muito restrita, escreveu só quatro artigos e nunca publicou um livro, não tem uma produção científica relevante. Isso não é impeditivo para ser ministro da Educação, tem alguma experiência de gestão no setor privado e é um docente”.

O ex-ministro também criticou a visão conservadora de Weintraub. “O que gera uma grande preocupação é que a educação tem de ser um espaço de acolhimento, você tem que respeitar a liberdade cátedra, a liberdade de pensamento, a pluralidade, esses são valores essenciais a qualquer projeto educacional. Ele tem demonstrado uma visão de intransigência, uma visão ideológica obscurantista e retrógrada, coisas que não têm a menos procedência”.

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