Michel Gherman: “comparação entre nazismo e comunismo serve ao negacionismo do Holocausto”
“O que o Monark fez foi relegitimar em 2022 nazistas no espaço público brasileiro”, avalia professor da UFRJ e diretor do Instituto Brasil-Israel
247 - Para o professor de Sociologia e diretor acadêmico do Instituto Brasil-Israel, Michel Gherman, o ponto mais importante da fala antissemita do apresentador do Flow Podcast, Monark, é “classificar como legítima uma ideologia que fala em exterminar seus inimigos imaginários”. O programa perdeu patrocínios e teve entrevistas canceladas depois da declaração.
“O ponto mais importante é a agenda e a desqualificação do debate sobre o nazismo”, afirmou Gherman, em entrevista ao jornalista Leandro Demori, do The Intercept.
No programa, o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) concordou com o âncora e a também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) entrou em atrito com os dois.
Gherman lembra que, no Twitter, Kim fez uma comparação do nazismo “com o comunismo, com o Stalinismo, como se fosse tudo a mesma coisa. É um debate sobre negacionismo do Holocausto que elegeu Bolsonaro”.
“Esse debate sobre equiparação entre coisas distintas… a ideia de que o nazismo é tão ruim quanto o comunismo ou tão ruim quanto a esquerda, isso produziu o negacionismo e hoje a gente tem o negacionista, que nega a ciência, nega a história e dá palco para nazistas dançarem em seu governo”, prosseguiu o professor.
Em críticas ao governo de Jair Bolsonaro e sua semelhança e legitimação do nazismo, Gherman conclui: “Nós temos isso porque gente como o Kim Kataguiri legitimou isso. E o que o Monark fez foi relegitimar em 2022 nazistas no espaço público brasileiro”.
Monark diz que estava bêbado
Em vídeo após a polêmica e depois de perder patrocinadores, Monark pediu “compreensão” e disse que estava “bêbado”. “Quando a gente defende o nazismo bêbado é porque a gente também defende sóbrio. Eu quando fico bêbado eu posso eventualmente dançar em cima da mesa ou cantar músicas que eu não sei cantar”, comentou Gherman.
“Diferente de um bolsonarismo mais tradicional e de um olavismo mais tradicional, o que disse hoje o Monark se conecta com o nazismo tradicional. A ideia de que há um judaísmo e que esse judaísmo incomoda as pessoas”, afirmou.
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